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Preservação da fertilidade

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Recentemente, um estudo publicado na revista Americana, Fertility and Sterility, aborda o tema da preservação da fertilidade, o qual deve estar presente nas consultas ginecológicas, de forma precoce, dentro do planejamento das famílias.

Há cerca de 30 anos, o processo tinha a finalidade de preservar a fertilidade em pacientes com diagnóstico de câncer, sendo um passo importante na história da medicina reprodutiva, marcado pelo domínio prático do congelamento de óvulos. Mediante o diagnóstico de câncer em mulheres em idade reprodutiva, a técnica de vitrificação de óvulos é a preferida. Normalmente, nos tratamentos de câncer, opta-se pela estimulação ovariana entre a cirurgia e a quimioterapia o mais rápido possível. Assim, após o tratamento e quando a mulher desejar engravidar, poderá recorrer aos seus óvulos congelados.

A endometriose, doença que leva infertilidade a 70% das portadoras, afeta a reserva ovariana. O tratamento cirúrgico também pode comprometê-la.  Assim, as mulheres que precisam de cirurgia, devem ser aconselhadas à preservação da fertilidade, com um ou mais ciclos de estimulação ovariana, pois quanto mais óvulos congelados, maiores as chances de uma gravidez posterior. Mulheres que passaram por cirurgia do ovário, bem como em caso de adenomiose, também devem ser aconselhadas a criopreservar seus óvulos.

Mulheres que procuram congelar seus óvulos apenas porque desejam adiar sua gravidez temendo que suas chances de concepção diminuam com o tempo, devem atentar para três pontos importantes. O primeiro refere-se a melhor idade. Atualmente, recomenda-se buscar a preservação da fertilidade preferencialmente ao final dos vinte e início dos trinta anos. A reserva ovariana muito baixa normalmente é sinal de ameaça ao sucesso, porém não deve ser uma contraindicação para o congelamento. O segundo ponto é qual o número ideal de ovócitos a se criopreservar. Estudos descrevem que, em média, são necessários 15-20 oócitos por nascido vivo até os 37 anos, após, este número aumenta acentuadamente. Outro ponto refere-se às chances de uma pessoa nunca usar seus oócitos criopreservados devido ela conceber naturalmente. Esta questão é de suma importância, mas difícil responder por enquanto.

A preservação da fertilidade vem ganhando impulso devido aos seus resultados positivos com a criopreservação de oócitos usando a vitrificação. As chances de sucesso estão diretamente relacionadas ao número de óvulos recuperados.  Alguns recursos utilizados, como os protocolos de estimulação ovariana utilizados atualmente, têm sua eficácia evidenciada pelo número de oócitos coletados com boa tolerância pelos pacientes. 

O relógio biológico da mulher não para e saiba o quanto é importante o aconselhamento sobre a preservação da fertilidade para o seu planejamento familiar.

Sandra Weber | CRM36634 | RQE32639 e 42068
Médica especialista em Reprodução Assistida
Integrante da AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana

 

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