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Nara Stein

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30 anos de uma doce trajetória vendendo mais de um milhão de doces por ano

Nara Pereira Stein é casada com Elemar Stein Filho, mãe de Janaina, Roberta e Lucas. Avó da Lívia e do Matteo e sogra do Lucas Coelho e da Flávia Luccas. 

 Nos anos 90, Nara trabalhava como digitadora na Prodal, juntamente com o esposo Elemar Stein Filho. Quando a firma fechou, os dois ficaram desempregados e começaram a largar currículos pela cidade. O marido logo conseguiu um emprego e apesar das tentativas, ela nada conseguiu. As despesas começaram a ficar pesadas até o momento de decidir começar a fazer, na cozinha de casa, alguns salgados e tortas, que eram vendidos para os vizinhos.

 A história de 30 anos adoçando as festas começa com a chegada do sobrinho Gustavo. “Fizemos salgadinhos e docinhos, com receitas simples, como risoles, cachorro quente, brigadeiro e branquinho. Os primeiros foram feitos para o chá de bebê do meu sobrinho e logo em seguida, para o seu aniversário de um ano” – relembra Nara.

 Foi a vizinha Vildaine Nunes que a incentivou a fazer os doces e salgados para vender. Mesmo com muito medo de montar sua clientela, ela ouviu a vizinha que disse: “trabalha direitinho e faz o teu nome” foi a partir daí que reforçou seus doces e salgados para vender pela vizinhança. Um cliente foi falando para o outro e a lista de encomendas e clientes foi aumentando.

 Nesse meio tempo, também entregava salgados para o café da manhã na universidade. “Por anos, entregamos também para o Esportivo nas festas do torneio de bocha” , relembra. “As gurias sempre me ajudaram. Elas estudavam e chegavam da aula e me auxiliavam com as encomendas. O Lucas e o Elemar também ajudavam a dobrar caixas para guardar salgados e ajudavam a moer a carne para o preparo dos salgados”.

 A matriarca da família Stein, sempre adorou cozinhar, ama ver a mesa farta com as suas receitas, pois foi assim que começou a fazer salgados e doces e a ganhar esse setor. Para ela, o mercado hoje é bem diferente de anos atrás. “Os pedidos são a maioria de última hora, com isso temos que estar preparados para atender. Fiz alguns cursos com uma doceira que veio de Porto Alegre, pesquiso na internet, pois sempre surgem pedidos de alguns amigos e clientes para fazer um doce ou alguma torta diferente e foi assim que fomos criando o cardápio e as receitas. Fomos fazendo e aperfeiçoando como achávamos que ficaria melhor” ressalta a Nara ao explicar a variedade de receitas. “O quindim e a Torta Húngara foram uma tia que me ensinou, o bombom prestígio foi uma amiga que nos passou a receita. Na época do salgado a gente não tinha muita experiência, então os pastéis, colocá- vamos no forno para assar e eu ficava na frente rezando pela Nossa Senhora Medianeira, para ela nos ajudar e os pastéis não abrirem”. 

 Nara trabalhou anos na direção da empresa com o auxílio dos filhos e do marido. Há 6 anos, teve que operar os joelhos e colocar próteses. Com a cirurgia foi forçada a ficar em casa e gostou. Com o problema nos joelhos, percebeu que já podia delegar a direção aos filhos. Hoje as filhas são sócias, o filho é o gerente administrativo e Nara e o marido, que são aposentados, tornaram-se os consultores do empreendimento da família.

 Dez anos antes, em 2013 Janaina e Roberta criaram o CNPJ da empresa e tornaram-se sócias sendo 50% para cada uma. A mudança que teve com a sucessão foi na parte administrativa. Lucas que trabalhou 14 anos no segmento bancário tinha experiência no mercado financeiro e por isso, prestava consultoria para a empresa. Era o mentor nas tomadas de decisões, encontrando o ponto de equilíbrio entre a parte operacional, administrativa e o marketing.

Com os novos processos, conseguiram comprar melhor e assim, aumentar a loja e adquirir novo maquinário para otimizar o tempo de serviço. Com o aumento das demandas, a família reunida começou a planejar o Projeto de Expansão. Compraram o terreno vizinho, uniram os terrenos e resolveram triplicar o espaço. Com isso, há 3 anos, o Lucas tornou-se o gerente na parte da gestão administrativa e marketing para as negociações com fornecedores como a Nestlé, por exemplo. Ao longo desses anos, a turma de colaboradores aumentou, hoje contam com 25 colaboradores e o aumento da loja física.

 Quem acha que o doce mais procurado é o quindim, acertou! Já a torta mais vendida é a torta de morango. Ao longo do ano, são entregues uma média de 20 mil doces e 300 tortas por semana. Na semana do Natal, essa média é triplicada.

 Nara conta que as mães chegam na loja relatando que os filhos pedem para ir na “tia Nara” comprar brigadeiro. Ou quando algumas crianças chegam na loja e dizem que este é o melhor lugar da vida delas, isso enche o coração de alegria e adoça ainda mais sua vida.  

 “Acho que os nossos maiores desafios é tentar nunca dizer não para o cliente e conseguir atender o maior número de pessoas sem perder a qualidade dos doces e tortas“, afirma.

 A pandemia ensinou o grupo que antes só trabalhavam por encomendas, expandir também nos serviços de pronta entregas, seguindo o novo perfil do consumidor que virou muito imediatista, reduzindo o número de pessoas que fazem encomendas. “Percebemos que o fracionado era uma nova jogada de mercado”, ressalta Lucas.

 São trinta anos construindo a doce trajetória sem se abalar com a concorrência e sim, se adaptando com as adversidades que porventura surgirem. “Em uma festa pode ter doces de vários fornecedores assim você conseguiu atingir todo tipo de público”. Talvez essa seja a receita de empreendedorismo mais assertiva que existe. Fazer o seu melhor e construir suas oportunidades.

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