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Educação transformadora: conversa com Janice Bertoldo, professora e pedagoga de destaque

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Pedagoga e mestre em Educação (UFSM), Psicopedagoga Clínica e Institucional (FAFRA/FAPAS), e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (INTCC), o currículo de Janice Vidal Bertoldo é extenso. Nossa convidada para a edição especial das mulheres da Revista Interativa também é membro da equipe da clínica Espaço Interdisciplinar de Aprendizagem Recre/iando, sendo a psicopedagoga responsável e proprietária há 23 anos.

Conheça mais do currículo de Janice Bertoldo e confira a entrevista em que ela conta suas experiências mais marcantes, as maiores dificuldades da aprendizagem e como é a sua rotina hoje em dia.

  • Aperfeiçoamentos em Terapia Cognitivo Comportamental – WP e Neuropsicologia – INTCC;
  • Proprietária e Administradora na Empresa Instituto Educacional Mathesis LTDA;
  • Professora no Curso META Aprendizagem (Melhores Estratégias para Transtornos de Aprendizagem) São Paulo/SP, em Avaliação Psicopedagógica;
  • Professora da Especialização em Psicopedagogia – Abordagem Clínica e Institucional da Universidade Franciscana (UFN)/Santa Maria – RS, nas disciplinas de Dinâmica das Relações Familiares e Aprendizagem, Psicopedagogia e Dificuldades de Aprendizagem, Avaliação Diagnóstica e Tratamento; Estágio Supervisionado Clínico II; e Supervisora do Estágio Supervisionado Clínico II, na Especialização em Psicopedagogia – Abordagem Clínica e Institucional da Universidade Franciscana (UFN)/Santa Maria – RS;
  • Professora no Ensino Superior por 15 anos, na Unifra, atualmente UFN.

Quais são as suas experiências mais marcantes?

Bem difícil esta pergunta, afinal todas as experiências deixam alguma marca, seja positiva ou não. Um dos meus legados é o tempo, o quanto nos tornamos mais sábios e como consequência mais ágeis e eficientes, principalmente quando amamos nossa profissão. Na minha área ajudamos as pessoas a serem humanas, se tornarem ainda melhores no que dominam e, quanto às fragilidades, transformá-las em ‘molas’ propulsoras, vislumbrá-las como superação, afinal a resiliência é um aspecto a ser aprendido e alcançado por todos. Destaco duas situações:

O trabalho em Equipe que envolve o gerenciamento de uma Empresa que cresceu muito nestes 23 anos;

Os vários convites para participar como ministrante de Eventos de envergadura, bem como Professora de Cursos de Pós Graduação e Formação/Aperfeiçoamento de Profissionais nas áreas da Educação e Saúde.

Como te diferenciar neste mercado da educação?

Penso que a palavra-chave é inovação constante com competência técnica, e é o que te leva a ser empreendedor. Sem falar na necessidade de cada vez mais trabalhar em rede, com uma visão multiprofissional e interdisciplinar. E quanto às famílias, o acolhimento, com uma orientação de qualidade, as intersecções estabelecidas e ressignificadas, é o expoente para um trabalho de parceria, e o resultado é a segurança que se constrói com famílias que confiam a nós, seus filhos, sejam crianças ou adolescentes. Também a indicação dos nossos serviços por outros profissionais e instituições de ensino, pois nestes 23 anos, já tive várias fases, que vai da carreira solo a ter uma equipe de trabalho com interlocução transparente, em todos os segmentos envolvidos.

Quantos anos de Recre/iando?

Vinte e três anos de um trabalho de referência na Psicopedagogia. E com o novo Projeto da Empresa Mathesis, há uns 4 anos com os serviços da Educação Especial, Apoio Pedagógico, Formações, Workshop, Oficinas, Palestras para Instituições de Ensino e Famílias. Nosso objetivo é contribuir e ajudar nossa comunidade santa-mariense e região. Aproveito a oportunidade para agradecer a deferência de todos que fizeram e fazem parte da nossa trajetória. E em especial as minhas colegas e amigas Andriéli  e Pereira Gonçalves e Michele Quinhones Pereira, bem como a nossa adorável Adriane Vidal Bertoldo, minha mana, que tão bem recepciona as famílias que recebemos na Clínica!

Quais as maiores dificuldades na aprendizagem?

Os principais problemas que as crianças e os adolescentes têm tido geralmente são nas áreas da leitura, escrita e matemática. O que se justifica, por não lerem ou lerem muito pouco. Por consequência, apresentam dificuldade na fluência da leitura (velocidade lenta), levando a falta de compreensão e interpretação. E na sequência a aritmética, o raciocínio e, a abstração. Outra problemática é a falta de foco – concentração e atenção. O não gostar de estudar, de envolver-se com as questões acadêmicas. Também muitas crianças e ou adolescentes com diagnósticos ‘fechados’ de transtornos do neurodesenvolvimento.

Como anda o QI do brasileiro? Como as telas têm deixado as pessoas viciadas e alienadas?

Os dados de pesquisas são alarmantes em se tratando desse quesito. Para termos uma ideia, os brasileiros ficam em média 10 horas por dia em telas e isso é um exagero – alguns autores apontam como sendo uma ‘orgia tecnológica’, é um absurdo, praticamente insano. Na história da humanidade se chegou a ter um QI de 125 de média, e atualmente os estudos apontam para uma média de 80, o que é preocupante, pois um QI de 70 considera-se que o indivíduo terá um diagnóstico de Déficit Cognitivo.

O que nos leva a estas referências, são os novos hábitos, ou melhor, mal hábitos, afinal cada vez mais, lemos menos os livros físicos, e usamos cada vez mais telas. Significa que nossa ‘arquitetura cerebral’ está sendo modificada, ou seja, muda o modelo mental, porque o cérebro é plástico, logo o ser humano muda.

Estamos nos tornando reféns das telas, levando inclusive ao que se pode chamar de vício, e que não é nada saudável, porque se está instaurando uma situação de alienação. O uso exagerado de telas diminui a empatia, se tem prejuízos na linguagem, aumento da agressividade, afeta a autoestima, gera ansiedade.

Como a leitura faz desenvolver os neurônios e a inteligência?

Estudos indicam que um aluno mediano de uma turma de Fundamental II, lê em média 145 palavras por minuto. Pesquisas definem que se a leitura acontecesse 20 minutos por dia, no ano leria 3.000 páginas, um milhão de palavras, 22 livros em um ano. Dessa forma, aumentaria muito o vocabulário, e portanto, enriqueceria as narrativas e o repertório das pessoas.

Ao ler um livro se exercita a imaginação, melhora-se o vocabulário e se cresce muito mais rápido com a experiência de quem já alcançou o sucesso.

Quantos anos de casada?

Vinte e sete anos de casamento com Denis Rasquin Rabenschlag. Uma relação sólida e de muita cumplicidade. De um amor incondicional, de tantos anos de companheirismo! Meu parceiro de tantas comemorações! Repleto de convicções, me motivando a ser cada vez mais empreendedora. Meu imenso agradecimento ao meu sempre amado Denis, por acreditar em meus projetos pessoais e profissionais!

Quais são seus hobbies? E a tua rotina com funciona?

Passear com meus caninos e o maridão, cozinha gourmet, viajar de moto (motociclista) e fazer trilhas. Pode parecer estranho para algumas pessoas, mas um dos meus hobbies, é estudar. Quanto a minha rotina, não abro mão do exercício físico, três vezes na semana de manhã cedo, faço meu treino funcional. Os atendimentos na clínica de segunda a quinta, as reuniões com as instituições de ensino e profissionais de outras áreas, que também atendem minhas famílias. Faço meus cursos normalmente nas segundas e terças à noite; as aulas que ministro em geral de terças, quintas, sextas e sábados; costumo ter também uma vida social intensa com grupos de amigos e família; e ainda nos feriados de durante o ano procuro fazer viagens, seja de moto, carro ou avião.

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