Saúde e Bem-estar

Desejo mais Políticas Públicas às Mães e Mulheres em 2024

happy womens day concept design with female symbol
57views

Aproveito o tempo e o acontecimento do Natal para renovar a convicção no nascimento como ato de força vital da mulher, que dá à luz o mundo em sua função criadora e fértil, e nos anima a esperança e fé, desde aquele que abriu caminho à humanidade Cristã.

Como médica obstetra e especialista em pré-natal, estou dentro do processo que prevê a universalidade dos serviços e benefícios ofertados pelo Estado na área da saúde, principalmente. Partindo da ideia que precisamos nos reinventar continuamente e sobreviver convivendo de forma colaborativa para superar os problemas comuns à maioria, percebemos o quanto as políticas públicas para as mulheres estão distantes do previsto na lei. 

Cada mulher traz em si o sinal de Maria, daquela que ensinou amor e zelo ao próximo, esperança e confiança, o que se ajusta ao nosso tempo transcendendo para a renovação destes sentimentos e ações, nos levando ao respeito aos seus direitos, incluindo o de ser representada no lar, na rua, em todos os templos, não importando raças e lugares e por que não, também, se faça representar na política?

Sou otimista, mas também sou realista. Vejamos a linha do tempo das Políticas Públicas para as mulheres: em 1984 foi criado o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). Só após 16 anos, 2000 foi criado o Programa de Humanização de Pré-natal e Nascimento (PHPN). O Plano Nacional de Políticas para Mulheres, em vigência, foi construído em debate com representantes da sociedade a partir de 2003, referendada em 2007 e parou em 2013-2015 com a publicação de 114 páginas repletas de boas intenções. 

Um ano depois, 2016, o Manual de Protocolos da Atenção Básica constou que as gestantes, puérperas e neonatos, seriam atendidas por uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas e agentes comunitários), e no epicentro da pandemia, em 2022, foram anunciadas ações voltadas à gravidez na adolescência – um tema urgente sob todos os aspectos. 

Tudo está no papel e no discurso carregado de propósitos e pareceres técnicos de especialistas no assunto, porém distante da realidade de quem está penando em filas e tendo vidas, a própria mulher e a gestação ameaçadas. É nisso que precisamos nos mobilizar. Tirar do papel e mudar o discurso, que estão longe das garantias de cidadania às mulheres. O desafio é gigantesco, possível somente com o engajamento articulado desde a base até Brasília – ao centro do poder. Mas tenho fé de que o espírito natalino possa nos elevar ao que de mais sublime temos que é a maternidade. 

Ela traz para a mulher a sabedoria e o discernimento para conduzir seu filho no caminho do bem. No Natal, renovamos a graça da maternidade com Maria, mãe das mães, quando dá à luz a seu filho Jesus para nos mostrar a fé, o amor, a honestidade e o caráter.

Que ao chegar ao final deste ano, o caminho aberto por Cristo nos leve a um período marcado por gratidão à vida com qualidade. Desejo um Feliz Natal e que 2024 seja o ano de um maior reconhecimento da mulher em todas as suas faces.

 

 

Dra. Maria Aparecida | CRM 17035

Ginecologista, Obstetra e Sexóloga

Deixar uma resposta