Entrevistas

21 anos de Revista Interativa

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Ao completar 21 anos da Revista Interativa conversamos com a idealizadora Silvana Maldaner. Como ela mesmo gosta de se definir como uma curiosa, inquieta, ela fala da trajetória, de inspirações e da transformação da comunicação.

Fale um pouco como surgiu a Revista Interativa e como é comemorar a trajetória de 21 anos de publicação num mercado tão competitivo?

Acredito que o sucesso da Interativa é por ela ser segmentada com um público definido, ela tem posicionamento empreendedor, valorizando as novas tecnologias, conhecimento e a comunicação positiva. Ela nasceu no meio da comunidade médica. Minhas experiências profissionais nas assessorias de comunicação desenvolvidas para grandes instituições me deram bastante suporte em entender as demandas de conteúdo especializado e de quanto conhecimento borbulha na cidade.  Ainda na vida acadêmica desenvolvi assessoria de comunicação para o Hospital Universitário de Santa Maria por 4 anos, me formei numa rotina de hospital. Dentre as inúmeras atividades diárias, consegui fazer o primeiro vídeo institucional divulgando o Centro de Transplante de Medula Óssea, campanhas de conscientização de funcionários, assessoria de imprensa diária e produção de diversos artigos e trabalhos acadêmicos em congressos no Brasil e exterior. Desta rica experiência resultou minha monografia de graduação e publicação de livros sobre a complexidade estrutural de um hospital escola, e assistência médica, cultura organizacional e mudanças de paradigmas em serviços públicos, isto em meados de 1996. Desta experiência fui convidada a fazer assessoria de comunicação e o informativo da Sociedade de Medicina de Santa Maria, o qual desenvolvi com muita dedicação por oito anos, e simultaneamente assessorei por 8 anos também 2 hospitais, o Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo que na época estava se descredenciando do SUS e o Hospital da Guarnição Militar que atende ao segundo maior contingente militar  do país. Tive algumas experiências na Secretaria de Saúde e também por 4 anos assessorei a Upa, Samu, Hospital São Francisco e Hospital Casa de Saúde. Além de diversas clínicas médicas e entidades de classe.

 Nestes 30 anos de atuação convivendo com rotinas hospitalares, dilemas administrativos e de conciliação entre convênios, serviços públicos e privados e a definição de prioridades de gestores da saúde foram criando um alicerce de conhecimento dentre diversas áreas.

 A experiência foi ampliando e a coragem de enfrentar novos desafios também. Prestei assessoria para a Sociedade de Engenharia e Arquitetura por muitos anos, bem como nestes últimos 17 anos para o Sinduscon Santa Maria.

  Meu maior patrimônio são os bons relacionamentos estabelecidos nesta longa caminhada e de amigos queridos e grandes profissionais que conheci. Acredito que a fidelidade, credibilidade não podem ser apenas uma campanha de marketing, elas precisam ser sentidas na prática, no dia a dia e no comportamento ético de uma vida inteira.

 Vi muitas revistas abrirem e copiarem o modelo, mas em pouco tempo não permaneceram no mercado. Já vi muito barulho para pouco conteúdo na prática. Estamos vivendo tempos bem difíceis e transformadores, tudo é copiado, comparado e nivelado por baixo.

 Ainda na faculdade de comunicação da UFSM, desenvolvi um grande laboratório e aproveitei ao máximo todas as oportunidades de conhecimento, acompanhando os congressos e disciplinas complementares no curso de administração de empresas. Também cursei por 3 anos o curso de direito na UFSM e acabei não concluindo pois havia me formado em comunicação e passado na prova de mestrado na UFSC.

Santa Maria sempre foi minha segunda casa, onde retornava e encontrava oportunidades. Acabei concluindo o mestrado na Engenharia de Produção na UFSM com ênfase no planejamento estratégico em 2002. Dei aulas em cursos técnicos, na UNIJUI na Faculdade de Comunicação, na UFSM dei aula por dois anos e sinto que retribui para a comunidade acadêmica um pouco de tudo que aprendi.

Foi um tempo muito lindo, intenso e maravilhoso e cheio de aprendizado. Para uma pessoa hiperativa como eu, que trabalho desde os 14 anos de idade, não poderia me acomodar em rotinas mais lentas e metódicas e de certa forma muito distantes da rotina do mercado de trabalho que estava acostumada.

Como foi a mudança de nome Saúde Interativa para somente Interativa?

Foi uma mudança gradual, durante os primeiros 8 anos publicamos somente conteúdos relacionados à saúde como um todo. Envolvendo educação, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, odontologia, medicina e exames diagnósticos. Depois começamos a incrementar com artigos relacionados à arquitetura hospitalar, direito e outras áreas afins. As demandas foram crescendo e a revista se tornando cada vez mais interativa, fazendo coberturas sociais, entrevistando empreendedores e contemplando artigos de interesse diversos.

 Teve alguma edição mais marcante?

Dentre várias entrevistas exclusivas e maravilhosas, podemos destacar, a edição especial que fizemos em janeiro de 2013. Como queria começar o ano dando um gás de otimismo, fizemos várias entrevistas de superação na saúde, nas finanças, nos relacionamentos amorosos e como lidar com as perdas. Quando a edição estava toda pronta, com a capa do queridíssimo Denilson Souza que após sofrer uma queda perdeu a mobilidade nas pernas, tornou-se atleta no handebol para cadeirantes e também na paracanoagem servindo de exemplo de determinação, no dia 27 de janeiro acontece a fatídica tragédia na Boate Kiss. Não tinha como mudar a edição, mas ela estava toda voltada para confortar as pessoas que tiveram grandes perdas. Foi algo extraordinário. 

Como conciliar família, filhas e todo o envolvimento dinâmico da revista?

É uma grande missão poder ser mãe, trabalhar e ser feliz no que se faz. Quando as meninas eram bem pequenas contei com o suporte da Escolinha Abelhinhas que foi durante 5 anos uma grande família. O Gerson meu marido, que também tem uma rotina intensa entre cirurgias cardíacas no Hospital de Caridade e Hospital Universitário, sempre me apoiou em todos os projetos, bem como eu também sempre dei força para suportar as madrugadas trabalhadas, feriados e finais de semana que precisávamos priorizar o trabalho ou congressos. Acredito que o melhor ensinamento é o exemplo, é a persistência e a procura constante em melhorar e filtrar o que merece nosso tempo e o que rouba nosso tempo.

 A Giorgia e Rebeca cresceram vendo os pais trabalharem, mas sempre tiveram nossa presença diária e tempo qualificado para conversar, discutir e ouvir as angústias do dia a dia.  Sou muito grata por ter construído uma base sólida de valores para elas, e ter oportunizado conhecimento, experiências em outras culturas e o gosto por conhecer o mundo pelos próprios olhos.

 Acredito que nem todas mulheres nasceram para serem mães. Muito mais que condições financeiras, um filho exige tempo, dedicação, exemplo e uma dose extra de paciência em ensinar e repetir. Hoje, mais do que nunca, sabemos da dificuldade que é ensinar a pensar, refletir e não entrar na moda dos influenciadores do momento.

 Apesar de sempre ter tido muitas dificuldades, começar a empreender era para loucos e aventureiros. Não tinha um suporte financeiro para bancar novos projetos, era necessário trabalhar e provar o tempo todo a capacidade, deixar de lado o lazer e vida pessoal para que as metas fossem alcançadas. Hoje minhas filhas já vivem numa realidade muito diferente, então ensinar a pescar, quando se tem o peixe em casa talvez seja o maior desafio, na educação.

Como vê os novos cenários de comunicação e tecnologias?

 Creio que as mudanças foram intensas e as mídias sociais mudaram totalmente o cenário de comunicação no mundo. Hoje as fontes são checadas instantaneamente, não precisamos de um jornal para nos informar 24 horas depois do ocorrido. A rede social filma e transmite na hora. Isto faz com que as pessoas estejam mais interativas, e menos dependentes de um veículo, ou de um jornalismo opinativo. Neste sentido a revista sempre andou pela tangente pois ela não tem como propósito ser veículo diário de notícias e sim de matérias especializadas, conteúdo diferenciados para um público mais exigente.  Evidente que estamos conectados pelas redes com coberturas de eventos, entrevistas e matérias e também pelos programas de entrevistas que toda semana são publicados no canal do Youtube, na Fanpage e Instagram.

 Projetos futuros?

Temos vários. Não vamos parar por aqui. De tempos em tempos escalamos novos times, profissionais comprometidos e novos projetos surgem. Em plena pandemia começamos com nossos vídeos, entrevistas qualificadas e debates. Fiz a primeira série de entrevistas a candidatos a prefeitura de Santa Maria em forma de lives, que na época todos estavam começando. Toda semana postamos vídeos novos para o canal de Youtube e em breve teremos novidades para os leitores mais exigentes.

Estamos felizes em evoluir com nossos projetos especiais. A edição Casa e Construção vem crescendo a cada ano e neste ano teve publicação extra e evento marcante com arquitetos, engenheiros e toda a rede de decoração e construção celebrando o mês de maio, aniversário da cidade. E o especial jurídico que também consagrou o agosto com artigos profissionais e boteco da Interativa.  Nossa festa de aniversário também a cada ano tem crescido e temos muito a agradecer a todas as pessoas que nos prestigiam e acompanham. Só gratidão.

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