Saúde e Bem-estar

Saúde mental: Ansiedade é o transtorno mais comum entre os brasileiros

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A pandemia de COVID -19 também pode ser considerada uma causa de ansiedade Uma das maiores emergências de saúde pública do Século 21 e, além das preocupações quanto à saúde física, trouxe o isolamento social e inúmeras consequências psíquicas para a população mundial.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) o Brasil é o país mais ansioso do mundo (2019) e um dos líderes em casos de depressão. Uma pesquisa global feita pela Universidade Estadual de Ohio (EUA) mostra que o Brasil contínua líder em índices de ansiedade e depressão na pandemia, com um aumento de 25% nos casos, envolvendo as duas doenças.

Sintomas

Sentir-se ansioso é uma resposta natural e temporária do nosso corpo diante a situações de estresse que fogem da rotina, como por exemplo coração acelerado antes de uma apresentação importante ou uma prova. Porém, quando esses sintomas se mantêm por longo tempo e atingem níveis desproporcionais aos acontecimentos que motivam a preocupação, pode se tratar de um Transtorno de Ansiedade, uma doença que demanda acompanhamento médico e especializado.

A diferença entre ansiedade normal e ansiedade patológica é que a normal todos nós podemos apresentar no dia a dia, sem prejuízos. Já o transtorno de ansiedade se caracteriza como um quadro de ansiedade que traz limitações ao cotidiano da pessoa, que pode não conseguir trabalhar ou estudar, tem sofrimento físico e psíquico intenso e os sintomas não são necessariamente relacionados a um problema específico.

São sintomas: preocupações, tensão ou medos exagerados, sensação contínua de que algo ruim irá acontecer, preocupações exageradas com a saúde, dinheiro, família ou trabalho, falta de controle sobre essas preocupações ou pensamentos e atitudes, insônia, taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), sudorese, tremores, falta de ar. Podem ocorrer também crises de ansiedade mais intensa ou ataques de pânico: são episódios em que a pessoa experimenta um conjunto de sintomas ligados à ansiedade com uma intensidade maior ainda (como sintomas físicos mais intensos). O ataque de pânico pode ser desencadeado por um evento estressante ou ocorrer de forma inesperada, sem fator desencadeante. Ele geralmente dura alguns minutos (5-30 minutos) mas pode chegar a algumas horas e é bastante incapacitante, levando a pessoa ao atendimento médico. Isso porque os sintomas envolvem taquicardia e falta de ar e muitos pacientes relatam acreditar que estão tendo um infarto na hora do ataque de pânico.

Causas

Fatores genéticos e estressores psicossociais (rompimento de um relacionamento, perda de um ente querido, perda de emprego) e ventos que podem gerar um trauma são algumas das hipóteses que buscam explicar a causa do transtorno de ansiedade. Os fatores bioquímicos, como alterações de substâncias no sistema nervoso e o consumo excessivo de álcool ou outras drogas também são considerados como causas do transtorno. Outros fatores que podem levar à ansiedade são a competitividade exagerada, relacionamentos tóxicos, ociosidade e excesso de telas.

Tratamento

O apoio psicológico pode ser necessário para prevenir o agravamento dos quadros ansiosos, que podem levar a quadros mais graves, como depressão. A terapia pode envolver o uso de medicamentos (como antidepressivos e ansiolíticos), sessões de psicoterapia (com psicólogos ou médicos psiquiatras) ou ambos, em conjunto. Em casos de sintomas que podem significar um transtorno de ansiedade, é preciso que a pessoa busque ajuda médica de um especialista o quanto antes para receber o devido diagnóstico e dar início ao tratamento mais indicado para a sua situação.

Prevenção

Apesar de não ter como prever o que determinará que alguém desenvolva um quadro de ansiedade, é possível amenizar o impacto dos seus sintomas. A adoção de uma rotina de autocuidados, atividades que proporcionem relaxamento e satisfação, cultivo de vínculos afetivos e a prática de atividades físicas podem diminuir as chances de desenvolvimento de um quadro patológico de ansiedade. Reduzir ou evitar o consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias psicoativas, manter uma alimentação equilibrada e cuidar da qualidade do sono também podem melhorar a saúde mental e auxiliar na prevenção da doença.

 

Dra. Walewska Ferreira Ribeiro

Médica Psiquiatra

CREMERS 21.515 RQE 13.422

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