Saúde e Bem-estar

Epilepsia SAIBA O QUE É

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A Epilepsia é o mais frequente transtorno neurológico sério e um importante problema de saúde pública. Sua incidência nos países em desenvolvimento é o dobro dos países desenvolvidos. Embora seja um problema predominantemente tratável, muitos pacientes não tem acesso a sua investigação e ao anticonvulsivante indicado.

Uma Crise Epiléptica (CE) é apenas um sintoma transitório que implica em uma descarga excessiva e desorganizada da atividade neuronal. Essas descargas se manifestam por movimentos motores, perda ou não de consciência.

As crises epilépticas podem ser: Crise sintomática aguda: cujas causas mais comuns são o traumatismo cranioencefálico, meningites, hipoglicemia, hipo e hipernatremia, intoxicações por álcool etílico e drogas ilícitas, abstinência de drogas, entre outros; e Crise epiléptica não provocadas são as que ocorrem na ausência de um insulto cerebral agudo.

 A Epilepsia é caracterizada por crises epilépticas recorrentes (duas ou mais), não provocadas por qualquer causa imediata.

A Epilepsia é conhecida através de manuscritos e pinturas desde 2000 a.c. Enfatizavam o sobrenatural, existiam crenças e muitos mitos. As crises convulsivas eram tratadas como um assunto espiritual. Considerada também como contagiosa e que a pessoa em crise não podia ser tocada. Estes estigmas e preconceitos de certa forma ainda existem na sociedade, sejam como forma de discriminação ou superproteção.

Os conceitos vão sendo mudados com estudos e pesquisas. A epilepsia compreendida como entidade médica, oficialmente reconhecida, iniciou-se no século XIX pelo inglês John Hughlings Jackson (1835-1911). O primeiro anticonvulsivante surgiu em 1857- o Sal de Brometo.

A manifestação física de uma crise convulsiva é igual tanto numa crise de um epiléptico ou crise secundária a um episódio febril na infância. Ocorrem movimentos musculares involuntários, perda do tônus corporal, salivação, mordedura de língua, perda da consciência.

Em ambas ocorre uma desorganização neuronal.  Na crise epiléptica febril da infância, a desorganização é transitória e depende de evento febril. Já na Epilepsia existe uma alteração genética ou adquirida que é constante nos neurotransmissores.

A incidência de epilepsia na infância é de 375 casos/100.000 habitantes. Desse 70-80% dos casos evoluem para remissão das crises epilépticas. Nos adultos jovens e adultos até 65 anos ocorre uma incidência de 39 casos /100.000 habitantes.

A etiologia da Epilepsia é bastante variada e depende da faixa etária do início das crises.

Nos recém-nascidos (RN) as causas podem ser consequência de insultos que levam a danos cerebrais: ex. hipóxia neonatal, sangramentos intracranianos, infecções bacterianas, infecções congênitas, encefalopatias ou síndromes neonatais.

Nas crianças maiores, temos eventos benignos de origem genética como a Epilepsia Rolândica, Epilepsia Benigna da Infância com Pontas Occipitais, Epilepsia de Gastaud, Epilepsia do tipo Ausência Infantil, Ausência com mioclonias palpebrais, Epilepsia generalizada idiopática e outras Síndromes Epilépticas. Não podemos esquecer que também são causas de convulsão os Tumores do Sistema Nervoso Central, as malformações cerebrais, encefalites.

Nos adolescentes temos as Epilepsias da infância já em fase de resolução, Epilepsia Ausência juvenil, Crises tônico-clônicas generalizadas, Crises do despertar, Crises durante o sono.

As principais causas de uma primeira crise nos adultos continuam sendo as de origem genéticas ou idiopáticas, crises motoras, Epilepsia mesial temporal, síndromes genéticas, tumores cerebrais, doenças sistêmicas com manifestação no Sistema Nervoso Central.

Crises que iniciam na pessoa idosa podem ter relação com hematomas cerebrais crônicos, doenças cerebrovasculares, tumores cerebrais, doenças degenerativas. Nessa faixa etária os pacientes são mais propensos a comprometimento cognitivo e quedas A escolha do anticonvulsivante deve ser cautelosa pois ocorre mais risco de neurotoxicidade e sedação.

Na investigação com exames complementares o Eletroencefalograma (EEG) é fundamental. O EEG registra em um gráfico a atividade elétrica do cérebro em   dado momento. Esse exame pode fornecer dados de comprovação da atividade elétrica “fora do ritmo” que desencadeou a crise convulsiva.

Complementando o avanço da Neurociência no diagnóstico das crises epilépticas, temos a Tomografia Computadorizada Cerebral (TCC) e a Ressonância Magnética Nuclear do Encéfalo (RMNE). Todos esses exames podem ser realizados a nível ambulatorial. Infelizmente alguns Serviços de Radiologia se impõe como condição para a realização do exame RMNE uma internação hospitalar pré e pós exame para crianças que precisam ser anestesiadas.

Após uma história detalhada do paciente e seus familiares e a realização de exames complementares podemos escolher tratamento com drogas antiepilépticas (DAE) adequado para cada paciente.

Hoje dispomos de muitas DAE. Cabe ao médico indicar a melhor terapia medicamentosa para cada tipo de Epilepsia. A DAE deve ser eficaz, deixando o paciente sem crises, preferencialmente em monoterapia, dosagem adequada para o peso, com o mínimo de paraefeitos.

Sabe-se que 30% das Epilepsias são de difícil controle. Principalmente aquelas onde existe uma lesão estrutural do cérebro como na Epilepsia mesial temporal por esclerose hipocampal, as malformações do desenvolvimento cortical e Encefalopatias Epilépticas.

Os avanços na investigação das crises epilépticas e seu tratamento são constantes. Temos Centros de Excelência no Brasil só dedicados para investigação da doença. A indústria farmacêutica também investe na produção de novos fármacos. Todo este esforço busca melhorar a qualidade de vida do portador de Epilepsia, estabilizar quadros emocionais, suas relações afetivas e estabilidade no emprego

É fundamental esclarecimentos para a sociedade em geral, o que é mito e estigma, assim contribuindo com novas concepções desprovidas de preconceito.

Esperamos, como ocorre em outras doenças, que pessoas socialmente conhecidas assumam em público sua condição de portador de Epilepsia e que isso não os impediu de se tornarem o que são: atores, esportistas, intelectuais, políticos, etc.

Orientação para familiares e acompanhantes durante a crise convulsiva:

  • Mantenha-se calmo.
  • Tente proteger a pessoa em crise epiléptica, evitando que sofra acidentes tirando objetos pontiagudo sou cortantes de suas mãos e retirando objetos cortantes de locais próximos.
  • Não o imobilize: se estiver indo em direção de algo perigoso, leve-o com tranquilidade para um local seguro.
  • Coloque-o deitado de lado e afrouxe as roupas para que possa respirar melhor; não tenha receio da saliva, pois não é contagiosa.
  • Não dê nada para a pessoa em crise epiléptica beber ou cheirar.
  • Não coloque nada dentro da boca do paciente e não segure a língua, pois ela não enrola.
  • Ligar para o SAMU em caso que necessitem de avaliação emergencial, como crise que dura mais de 5 minutos ou o paciente não apresente recuperação completa da consciência.
  • Pessoas com epilepsia tem risco elevado de morte por quedas, afogamento.

Fonte: UFSC (2012)

 

Dra.  Ana Ligia Silveira

Neuropediatra- CREMERS 14858

 

 

 

 

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