Saúde e Bem-estar

Disfunção Sexual Feminina: Atuação da Fisioterapia Pélvica

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A disfunção sexual feminina é caracterizada como a dificuldade em não conseguir concretizar uma relação sexual satisfatória, tanto para si quanto para o parceiro. Considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde, pode afetar em sofrimento pessoal e interferir nas relações interpessoais devido a problemas anatômicos, fisiológicos, psicológicos e socioculturais.

Abrange algumas desordens, como: distúrbio da excitação, distúrbio do desejo sexual hipoativo, transtorno sexual do orgasmo, dispareunia (dor/desconforto na penetração) e vaginismo (incapacidade de penetração). Essas desordens são classificadas de acordo com a fisiologia da resposta sexual (a fase do desejo, a fase da excitação e platô, orgasmo e resolução), dor e desconforto, através do questionário Female Sexual Function Index (FSFI).

O começo da resposta sexual é a fase do desejo, o estímulo sexual pode ser pelo toque físico e/ou pela imaginação, audição e visão; após ocorre a fase da excitação, quando todo corpo começa a acelerar, aumentando o débito cardíaco e a frequência respiratória.

A partir daí ocorrem diversas mudanças importantes, em especial no órgão genital: a congestão, aumenta a quantidade de sangue circulante no clitóris aumentando a sensibilidade amplificando para a ereção, momento em que há maior lubrificação. Sem ereção a sensibilidade é reduzida, prejudicando o prazer sexual, podendo causar orgasmos fracos e demorados ou inexistentes, insatisfação sexual ou incapacidade de penetração.

Para que ocorra uma boa lubrificação, é importante que se tenha uma boa musculatura genital. O músculo bulbocavernoso, músculo superficial do assoalho pélvico, contrai pressionando as glândulas de Bartholin, liberando sua secreção para dentro da vulva. As paredes do útero, da vagina e as glândulas parauretais também produzem a lubrificação.

Na fase do platô, onde as respostas ficam em estabilidade, a excitação é quase máxima, a musculatura do assoalho pélvico tem uma contração automática, mais forte e sustentada que antes, podendo ocorrer o orgasmo. As características do orgasmo são contrações rítmicas e automáticas, podendo durar de segundos a minutos, com diversas intensidades. Uma musculatura pélvica forte e saudável, com os vasos sanguíneos sem comprometimento, promovem maior intensidade do orgasmo. Neste momento também pode ocorrer a ejaculação.

Ejaculação é diferente de Orgasmo; um pode ocorrer independente do outro.

No orgasmo ocorre contrações: do útero, vagina, lábios externos e internos, musculatura profunda do assoalho pélvico e músculos do clitóris; estes músculos pressionam as glândulas de Bartholin e Skene, que consequentemente ejeta algumas gotas de secreção em conjunto com o muco acumulado do útero e a secreção das paredes vaginais.

A ejaculação feminina ou Squirting ocorre em uma pequena porcentagem de mulheres durante o orgasmo. Durante momentos de grande excitação é produzindo um líquido na bexiga, o útero se contrai e sobe, tracionando as paredes da bexiga fazendo com que os rins filtrem rapidamente o sangue que circula, consequentemente enchendo a bexiga de líquido transparente, sem cor, sem cheiro, sem ser parecido com a urina. As mulheres podem ejacular esse líquido com o orgasmo, ou as que não ejaculam tem uma vontade súbita de urinar logo após o sexo.

A falta de conhecimento e informação sobre a fisiologia da resposta sexual, medicamentos, condições uroginecológicas, patológicas, problemas de ordem pessoal e/ou conflitos conjugais, podem desencadear sérios problemas emocionais nas mulheres e consequentemente resultar em algum tipo de disfunção sexual.

A prevalência mundial de disfunção sexual feminina acomete aproximadamente 67,9% das mulheres. No Brasil atinge 51% das mulheres, tornando queixas frequentes no consultório.

É importante ressaltar que os músculos do assoalho pélvico desempenham importante papel na função sexual feminina. O desuso, a hipotonicidade e a debilidade dos músculos do assoalho pélvico contribuem para um transtorno orgástico. A reabilitação e o treinamento desta musculatura contribuem com o aumento de força dos músculos que se inserem no corpo cavernoso do clitóris, tendo melhor resposta das contrações involuntárias dos músculos do assoalho pélvico durante o orgasmo, auxiliando na excitação e no orgasmo. Após o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, ocorre melhora no fluxo sanguíneo, mobilidade pélvica e na sensibilidade clitoriana, potencializando também a lubrificação vaginal.

Nos transtornos sexuais dolorosos: Dispareunia (dor genital persistente ou recorrente que ocorre antes, durante ou após a relação sexual), Vaginismo (contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, tornando as relações sexuais difíceis ou impossíveis) e a Vulvodínea (hipersensibilidade da vulva, dor crônica), o objetivo da fisioterapia pélvica é aumentar a conscientização e propriocepção da musculatura, melhorando o relaxamento muscular, normalizando o tônus, aumentando a elasticidade na abertura vaginal e dessensibilizando zonas dolorosas, reduzindo o medo da penetração vaginal. Nesses casos, disponibilizando recursos como a cinesioterapia, terapia manual, biofeedback com eletromiografia, dilatadores vaginais, eletrotermofototerapia, entre outros.

A Fisioterapia Pélvica atua na prevenção e a na reabilitação das disfunções do assoalho pélvico, conjunto de músculos e ligamentos que sustentam órgãos como bexiga, útero e reto; trabalhando a musculatura por meio de recursos e técnicas específicas, tanto para relaxar como para fortalecer, restabelecendo a função do assoalho pélvico. O tratamento proporciona melhora da saúde sexual, maior autoconsciência, autoconfiança, melhora da imagem corporal sem descartar o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

 

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