Saúde e Bem-estar

ESPECIAL SAÚDE – Dr. Ney Mutti: 81 anos de amor à profissão

NEY MUTTI
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Dr. Ney Mutti é natural de Uruguaiana, veio para Santa Maria para fazer faculdade de odontologia na primeira turma do curso de odontologia da UFSM em 1961. Era um excelente aluno, foi monitor do curso a convite do Dr. Walmor Mozzaquatro e logo em seguida professor de prótese. Mais tarde, fez especialização em próteses em Porto Alegre, Mestrado e Doutorado. Foi professor da UFSM por 28 anos. Quando se aposentou do cargo de professor titular, não parou de trabalhar, especializou-se em implantes na cidade de Bauru, em São Paulo. Na volta, criou e coordenou um curso nessa mesma área na UFSM por dois anos. Durante este período, trouxe vários professores de fora para dar aula na cidade.

Dr. Ney Mutti trabalhou durante 54 anos na profissão, hoje é aposentado, pai de três filhos, fruto da sua união com Clair Inês, socióloga e professora da UFSM. Sua filha Cristine é engenheira e trabalha como professora de pós-graduação em Florianópolis, Isabele é professora do curso de odontologia da UFN e Gisele é professora de inglês em Porto Alegre.

Por que escolheu odontologia?
Dr. Ney Mutti: A odontologia é a minha paixão, foi a única profissão que eu escolhi. Desde pequeno eu gostava de trabalhos manuais, desejava ser dentista, e logo me identifiquei com a prótese. Acabei fazendo especialização em prótese em Porto Alegre e todos os meus esforços foram nesse sentido. Me considero muito realizado profissionalmente.

Quais homenagens recebeu?
Dr. Ney Mutti: Já recebi algumas homenagens, como ser paraninfo de turma da faculdade. Fora isso, já fui conselheiro do Conselho Regional de Odontologia (CRO), fui presidente da ABORGS Centro e extra profissão fui Presidente do Circolo Lombardo da Associação Italiana de Santa Maria, entre outros cargos.

Qual a diferença da odontologia de hoje para a de antigamente?
Dr. Ney Mutti: Vejo que a odontologia hoje traz mais facilidade ao povo, porém as áreas de próteses e implantes ainda estão muito caras. Todo o ramo de atividade evolui e, consequentemente, velhos conceitos vão sendo mudados. A grande encruzilhada atual da odontologia é a transição entre a odontologia analógica e a odontologia digital. A tecnologia digital veio para ficar e, cada vez mais os dentistas estão tentando, apesar das resistências, migrar para as tecnologias digitais. Existem autores renomados que dizem que, apesar de todas essas transformações, a odontologia não vai conseguir ser totalmente digital, porque a percepção do tratamento por parte do paciente é analógica. O paciente avalia o tratamento odontológico através do tato da língua, da eficiência eventual da mastigação e da parte visual, com relação à parte estética.

Tenho uma preocupação com a educação e a qualidade dos novos profissionais e há uma previsão de uma crise eminente na profissão e na qualidade dos serviços em si.
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“Em 2015 existiam 220 faculdades no país, em 2019 passou a ter 412 faculdades. Houve um aumento de 87% de profissionais de odontologia. Temos hoje, no Brasil, 1 dentista para cada 645 habitantes e em Santa Maria, 1 dentista para cada 300 habitantes”.

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O ENADE faz avaliação de qualificação das faculdades. Santa Maria tem obtido conceito cinco, enquanto muitas no brasil obtém pontuação de dois, e ainda continuam funcionando.

É uma ferramenta de avaliação do ensino superior. O problema é o viés político que facilita a criação indiscriminada de Faculdades, que pela lógica existente às protege de eventuais sansões quando a avaliação é negativa. O Conselho Federal de Odontologia, a ABO Nacional e até Sindicatos têm feito muitos e importantes movimentos contrários a esse problema, mas, a Nível Governamental, nada acontece. O ENADE é levado muito a sério pelas instituições comprometidas com a qualidade de ensino.

Como ocupa seu tempo atualmente?
Dr. Ney Mutti: Meu hobby é escrever. Escrevi recentemente um livro sobre a história da família Mutti, hoje ele está sendo traduzido para o italiano. Alguns anos atrás gostava de produzir vinhos e espumantes pelo método Champenoise. Fazia muitos experimentos e estudava o processo de fermentação. Amo viajar e visitar os parentes na Itália, Brescia e Milão são meus destinos preferidos, além das filhas e dos netos, que são minha alegria.

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