Mundo Afora

Mundo Afora – BAHREIN: Golfo Pérsico

Grande Mesquita Al Fateh
Manama - BahreinManama - Bahrein
Forte do BahreinForte do Bahrein
Porto de ManamaPorto de Manama
YacoutYacout
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Mahara Dancer é o nome artístico de Marcela Trevisan, artista gaúcha nascida em Santa Maria. Formada em Relações Públicas pela UFSM, começou seus estudos na dança do ventre no ano de 2001 e rapidamente se desenvolveu, tornou-se campeã de concurso, professora, coreógrafa, diretora artística e agora autora de um livro baseado na sua própria história. O livro conta a história de doze anos de carreira em diferentes países da Europa, África e Oriente Médio, onde Mahara atuou como dançarina e também como relações públicas.

As Quatro Mil e Algumas Noites no Oriente é uma biografia, um romance e um manual. A bailarina de dança do ventre conta, sem cortes nem pudores, histórias de dezesseis temporadas em onze países, muitas cidades, hotéis, restaurantes e palcos diferentes. Um deleite para quem se interessa por cultura árabe e viagens, entretenimento de qualidade para os apaixonados por leitura e um guia de conselhos para quem deseja seguir carreira internacional na dança do ventre.

Mahara dançou em onze países, mais de vinte restaurantes, hotéis e nightclubs, e deu aula em mais de seis estabelecimentos árabes entre academias e escolas de dança.

Um país independente

Conhecido no Brasil por sediar uma etapa do Grande Prêmio de Fórmula 1, o Bahrein é uma pequena ilha no Golfo Pérsico, apenas 780 quilômetros quadrados. Uma monarquia de maioria muçulmana, um país lindo, desenvolvido e principalmente pacífico. Faz fronteira marítima com Irã, Catar e Arábia Saudita, conta Mahara.

Nos países vizinhos como Arábia Saudita e Kuwait, a venda de bebidas alcoólicas é proibida e o entretenimento é limitado por questões religiosas, portanto, o Bahrein atrai este público em busca de diversão nos fins de semana, junto com turistas de outros vizinhos como Catar e Oman.

O Bahrein é um país de expatriados, além de uma base naval marítima americana, existem muitas outras instituições de saúde e educação europeias, asiáticas e russas. Muitos expatriados filipinos, tailandeses, indianos, paquistaneses, misturados com os turistas dos países vizinhos e do mundo todo, formando uma verdadeira salada cultural riquíssima. Essa mistura cria um país que oferece opções de entretenimento incríveis. Quintas e sextas à noite existem dezenas de opções de bares e boates, restaurantes e after parties para todos os gostos, árabes, latinos, rock, pop, country e até jazz.

Além da agitada vida noturna, dos cafés e mercados, o Bahrein é conhecido pelas suas ilhas, o país é um pequeno arquipélago, passear nas diferentes ilhas povoadas é muito legal, são lindas. E também existem as ilhas que são acessíveis apenas de barco, e a ilha de Jarada, famosa pelas festas em alto mar, que aparece, desaparece, e muda sua extensão de acordo com a condição do oceano.

Roupas tradicionais

As vestes dos locais barenitas, tanto masculinas quanto femininas se assemelham às vestes dos Emirates dos Emirados Árabes Unidos. Mulheres usam abaya (um longo vestido preto) com a shayla (lenço preto na cabeça), que pode ser utilizada de diversas formas. O uso do chador também existe, e até mesmo da burca, que cobre completamente a mulher, mas é mais utilizada no caso de mulheres mais velhas. Os homens usam a candura, um longo vestido branco, e o lenço quadriculado, vermelho e branco, ou preto e branco, preso à cabeça com a ajuda de um acessório. A diferença é que nos Emirados as mulheres locais mostram mais os cabelos e os homens usam o lenço enrolado na cabeça.

Para os estrangeiros expatriados, é comum as vestes normais, tomando os devidos cuidados de não revelar demais o corpo, por questões de respeito à cultura e religião local. Existe uma pequena colônia de brasileiros que, dependendo da época, pode ser unida e divertida, ou não. Brasileiros que trabalham para o exército dos Estados Unidos, brasileiros que trabalham na Arábia Saudita e vêm passar o final de semana no Bahrein, jogadores de futebol e suas famílias, personal trainers, professores de artes marciais e alguns artistas como eu, se reúnem em churrascos, feijoadas e saídas noturnas.

Turismo, arte e cultura

No quesito moda, shopping centers, lojas, comércio e opções de gastronomia, Bahrein oferece exatamente o mesmo que Dubai, eu vejo Bahrein como uma mini Dubai, posso ter tudo o que tenho lá, mas sem o trânsito. Os restaurantes com alimentação exótica, onde é possível achar pratos da culinária do mundo inteiro, principalmente indiana e árabe, desde os mais baratos de rua, até os mais chiques e elaborados. Marcas famosas, shoppings coloridos, suntuosos e perfumados. Passear pelos shoppings de alta costura árabe e ter acesso aos tecidos árabes finos, é um verdadeiro deleite, cores e combinações vibrantes, materiais finos, trabalhados e muito brilhantes, eu ficava imaginando uma roupa para cada tecido.

A música e a cultura khaleege, os perfumes, os cafés, a shisha a cada esquina com seus aromas adocicados, restaurantes ao ar livre com jardins floridos, praias, ilhas. A cultura do Golfo Pérsico é muito forte e rica. Os khaleeges são elegantes, sérios, cheios de classe, alinhados, e observar eles é uma aula de força misturada com charme. É extremamente interessante observar o jeito com que eles vivem, andam, se vestem, falam, sentir a força da cultura do Golfo Pérsico é um presente e uma bênção.
De todos os lugares dá para ouvir o chamado da mesquita, alto, hipnotizante, misterioso e convidativo, penetra na cabeça e no coração, e arrepia o fundo da alma.

Mesmo sendo um país muçulmano, Natal e Ano Novo são datas comemoradas pela grande presença de expatriados. Pelas ruas e nos corredores dos shoppings, defumadores e aromas de perfumes árabes eram sentidos a cada moça vestida de preto que passava, sempre dá vontade de parar elas e perguntar de onde vêm aqueles perfumes, e com o tempo fui descobrindo e me apaixonando pela perfumaria árabe em óleo.

Existem inúmeros cafés onde os locais se reúnem para fumar a shisha, o famoso narguilé, que para eles é um costume assim como os gaúchos têm o chimarrão. O clima de fumaça e o aroma da shisha, as famílias bem arrumadas, música árabe tocando no ambiente e a gastronomia árabe, tailandesa, indiana, da melhor qualidade.

As lojas de decoração e objetos, tapetes, narguilés dão uma euforia pela infinidade de produtos e opções diferentes.

Nos supermercados, produtos, marcas e embalagens diferentes. É divertido ver como eles escrevem “Omo” e “Colgate” em árabe, a embalagem é a mesma, mas a marca é diferente.

É muita coisa para olhar, tocar, descobrir e experimentar. Existem amaciantes pretos especiais para a lavagem das roupas femininas tradicionais pretas. Na padaria, salgados árabes, esfirras, kibes, empanados indianos, doces árabes. Temperos, especiarias, chás e frutas secas vendidos à granel. A parte têxtil dos supermercados também é riquíssima, roupas indianas e africanas de babar.

Não existe seção de álcool no supermercado pois ele é vendido em lojas especiais, destinadas a não-muçulmanos e é necessário apresentar documentação para ter acesso. Sendo assim, a seção das bebidas nos supermercados também é extremamente rica, com uma infinidade de sucos misturados, naturais, artificiais, cervejas sem álcool e outras bebidas divertidas, uma infinidade de coisas diferentes para provar, como a Fanta de Morango, de Romã e de Maçã. Um clássico combo do Golfo Pérsico é o suco de maçã, com sementes de girassol e a shisha, é o que todos consomem nas reuniões entre amigos.

Um dos melhores passeios é o Bab al Bahrein, o souk, mercado público árabe, são milhares de lojinhas de badulaques árabes, decoração, perfumes, tecidos, comida, maquiagem, artigos locais.

Sistema de saúde e a pandemia

O sistema de saúde e hospitais funcionam muito bem e são acessíveis para expatriados, mesmo sem ter plano de saúde, dentista, hospital, exames, tudo é acessível para turistas e expatriados. Antes da pandemia, existia uma lei de cooperação que dá aos cidadãos brasileiros direito de comprar um visto de turista que pode variar de quinze dias até três meses na chegada ao aeroporto.

No momento não encontrei informações exatas sobre isso, alguns dizem que a lei ainda vale, outros dizem que é melhor pedir um visto antes de embarcar. Não existe uma embaixada do Brasil no Bahrein, quem cuida dos assuntos é a Embaixada do Kuwait.

Com a pandemia tudo mudou, existem regras rígidas para entrar no país, quarentena, obrigatoriedade de fazer exame PCR antes do embarque e depois de desembarcar e só pode circular livremente no país quem está recuperado ou totalmente imunizado. Este controle se dá através de um aplicativo que processa os documentos e mostra o status verde para quem está ok, que pode participar de aglomerações e frequentar espaços públicos de entretenimento e vermelho para quem não está ok, e não pode frequentar estes lugares.

Para as pessoas que pretendem morar lá e tem uma razão para isso, é um momento bom, mas quem pretende apenas fazer turismo é melhor aguardar um momento melhor, pois só a quarentena de dez dias num hotel escolhido por eles, já custa uma boa grana, e para brasileiros não existem garantias de não cair na quarentena. O país não está conseguindo administrar bem a questão do vírus e demorou para imunizar seus habitantes, mesmo com PCR negativo e um papel provando a vacinação, ninguém está livre de cair na quarentena!

O clima

A temperatura é exatamente o oposto do Brasil, enquanto aqui temos o inverno, lá está um calor de uns 47 graus, úmido, como em Dubai, e durante o nosso verão faz um inverno ameno de mínimo uns 15 graus. Dá para usar bota e casacão pra se sentir chique no inverno do Golfo, sim.

Vida profissional

Atualmente estou me preparando para voltar ao Oriente Médio e retomar a rotina de shows em restaurantes, boates e aulas em academias especializadas. Quem tiver interesse em conhecer o meu trabalho pode me procurar no Instagram @maharadancer, na minha página do Facebook e no canal no YouTube Mahara Dancer. As redes oferecem inúmeros vídeos e informações sobre a dança do ventre e sobre a minha vida em todos os países onde já atuei. Para interessadas em aulas, mantenho uma plataforma de aulas online, a escola Sala Mágica, no Instagram @salamagicasm, que oferece aulas de todos os níveis, desde o iniciante, começando do zero, até coreografias avançadas e mentoria para a carreira internacional.

O meu livro As Quatro Mil e Algumas Noites no Oriente está à venda na livraria Santos, no Monet Plaza Shopping e na Athena do centro e do Shopping Praça Nova, versão e-book na Amazon e também é possível comprar diretamente comigo.

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