Entrevistas

Primeira Coronel da 6ª Brigada de Infantaria Blindada

Patrícia Luiza WisniewskyPatrícia Luiza Wisniewsky
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Patrícia Luiza Wisniewsky é a primeira mulher a assumir o posto de Coronel na unidade operacional da 6ª Brigada. Natural de Santa Rosa (RS), possui Graduação em Medicina Veterinária pela UFSM e especialização em Controle de Qualidade em Carne, Leite, Ovos e Pescado pela Universidade Federal de Lavras (MG).

Ingressou no Exército Brasileiro logo após a faculdade, em 1995, depois de realizar o concurso para a Escola de Administração do Exército, chamada hoje de Escola de Formação Complementar do Exército, em Salvador, Bahia.

A primeira unidade que trabalhou foi o 5º Batalhão de Suprimento, localizado em Curitiba, no Paraná. Sua função era fazer a inspeção e o controle sanitário e de qualidade dos produtos de origem animal.

Em entrevista exclusiva para a Interativa contou sobre sua trajetória, empoderamento feminino, coragem e superação.

Como foi a experiência em Boa Vista, em Roraima?
Cel. Patrícia Wisniewsky: Uma experiência na selva foi muito importante na minha carreira. Além do vasto conhecimento junto das aldeias indígenas e o contato com os animais silvestres, me exigiram coragem, disciplina e habilidades para lidar com um universo muito desconhecido. Eu como veterinária apaixonada por animais me encantei com a oportunidade de aprendizado. Foram 3 anos muito intensos. Uma coisa é cuidar e tratar de gatos, outra é cuidar de onças. Uma vivencia prática muito diferente da experiência dentro das universidades.

E como foi a experiência na Suécia?
Cel. Patrícia Wisniewsky: Como sempre fui muito dedicada em aprimorar meus conhecimentos, habilitei-me em dois idiomas, inglês e espanhol, e por essa razão, fui uma das escolhidas para realizar o curso de Consultora de Gêneros em Estocolmo, na Suécia. Nos países nórdicos a inserção da mulher junto às forças armadas são bem mais intensas. Outros países, como Israel, por exemplo, exigem que a mulher tenha alistamento militar obrigatório. Isto abriu novos olhares da função da mulher e a igualdade de gênero. Atualmente exerço também a função de consultora de gênero dentro do exército.

Como foi a experiência da Missão de Paz no Haiti?
Cel. Patrícia Wisniewsky: Foi uma das experiências mais marcantes. A falta de comida, energia elétrica, insumos, água potável e as condições desumanas que encontramos era desolador. O terremoto que assolou o país matou 300 mil pessoas e deixou outras 300 mil feridas e 1,5 milhão de pessoas desabrigadas. Ficamos seis meses vivendo uma realidade que jamais esquecerei. Trabalhei como gestora ambiental, controle de vetores e roedores, controle da potabilidade da água e o gerenciamento dos resíduos sólidos.

O mais triste é que apesar de todas as ajudas internacionais, o sistema corrupto do país ainda não permitiu a reconstrução total da vida das pessoas e ainda é considerado um dos países mais pobres.
Como foi chegar ao cargo de coronel?
Cel. Patrícia Wisniewsky: O exército foi a última das três forças armadas a aceitar mulheres. Em 1992, foi o ano em que o exército formou sua primeira turma com 49 mulheres.

Atualmente, o exército compõe 4% do efetivo de mulheres.

Acredito que o exército tem oferecido igualmente oportunidades de cursos para homens e mulheres. Hoje, as mulheres já se inseriram de uma maneira igualitária com os homens, a gente não vê mais essa distinção, pelo contrário, a gente vê muita interação e integração das mulheres com os homens no exército.

Estou muito realizada, pois ao completar 50 anos de idade, atingi ao maior cargo que poderia atingir dentro da corporação, com uma trajetória linda de muito trabalho e dedicação. Mas não pretendo parar tão cedo, temos muitas coisas a realizar e a contribuir ainda.

Projetos paralelos?
Cel. Patrícia Wisniewsky: Tenho uma verdadeira PAIXÃO POR ANIMAIS. Um amor incondicional. Paralelamente, as minhas funções do exército, sou voluntária e trabalho muito fora do quartel com a proteção animal, fazendo resgate, castração e encaminhamento para a adoção. Pretendo seguir contribuindo neste sentido.

Acabo adotando animais abandonados, ou maltratados e faço um apelo, um animalzinho não é uma grife, adote um vira-lata, o amor não tem raça.

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