Saúde e Bem-estar

Câncer de pulmão e saúde mental

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O câncer de pulmão é um dos tumores de maior prevalência, sendo responsável por alta taxa de mortalidade em todo o mundo. Pacientes diagnosticados com câncer de pulmão têm a qualidade de vida abalada por inúmeros fatores, como estádio da doença, estresse com tratamentos, preocupação de uma recidiva ou metástase, esses sentimentos são comuns nesse processo.

O câncer é uma doença complexa e impactante, que pode ocasionar diversos desdobres físicos e emocionais quanto para pacientes, familiares, cuidadores e profissionais da saúde, por isso, é imprescindível uma rede de apoio multiprofissional.

Entre as causas prováveis de desenvolver/saúde mentaladquirir o câncer de pulmão estão o tabagismo, histórico familiar de câncer de pulmão, genética, poluição do ar, exposição ocupacional a agentes químicos e físicos, por exemplo, contato direto e sem proteção adequada a urânio, radônio, alumínio, borracha, fábrica de baterias, metalúrgicas, entre outros. As práticas mais proeminentes que se destacam na prevenção de câncer de pulmão incluem o ato de não fumar, mudança no estilo de vida, hábitos alimentares saudáveis, atividade física e preservação associada a redução dos agentes químicos citados anteriormente.

Quando uma doença grave como o câncer acomete a saúde de alguém, ocorrem mudanças diárias na rotina, no corpo e até mesmo nos planejamentos futuros, pois vivenciar uma enfermidade sombria é perceber-se habitando em um mundo sem poder fugir dele, isto é, o mundo dos medicamentos, exames clínicos, biópsias, hospitalizações, métodos quimioterápicos, radioterápicos, imunoterápicos, cirúrgicos e também dos efeitos colaterais decorrentes do tratamento proposto.

É esperado que a notícia de um diagnóstico de câncer desencadeie um abalo emocional profundo, repercutindo na qualidade de vida e consequentemente interferindo significativamente na vida pessoal, social, profissional e financeira do paciente, promovendo uma ruptura com o próprio corpo, baixa autoestima, sentimento de raiva, desespero, ansiedade, depressão, pensamentos ruins e autodestrutivos, medo da morte, medo da dor, incerteza, angústia, insegurança, questionamentos, entre outros. Por isso, desde o momento da descoberta do diagnóstico, o acompanhamento psicológico é indispensável para trabalhar o impacto emocional da condição.

A saúde mental é tão relevante quanto a saúde física, porque além de proporcionar o bem-estar psicoemocional, favorece no conhecimento e na promoção de comportamentos que beneficiam a adesão ao tratamento oncológico recomendado.

Algumas pessoas encontram no apoio psicológico a força que precisam para continuar, outras optam pela religiosidade, leituras, amigos, suporte familiar, viagens, enfim, buscam outros meios para suportar a batalha e assim seguir em frente. O importante é o paciente saber que ele não precisa passar por esse momento delicado sozinho, cabe a ele escolher os recursos que lhe são mais pertinentes e prosseguir.

Apesar dos percalços que o câncer pode trazer para a vida habitual, o preceito é manter a esperança e não se entregar. É importante envolver todas as vertentes do paciente nesse processo de maior vulnerabilidade, pois todas as pessoas que estão ao seu redor sofrem com o diagnóstico.

O psicólogo oncologista trata dos aspectos emocionais dos pacientes com câncer, tendo como objetivo delimitar a melhor e mais adequada maneira de intervenção para reduzir o sofrimento durante o processo de adoecimento. Oferece suporte emocional, auxilia o paciente a encontrar estratégias para encarar a doença e expressar seu sofrimento, juntamente com seus sentimentos, percebe as situações que lhe mobilizam emocionalmente e ajuda a compreender e ressignificar sutilmente sua essência, seus desejos e seus valores, superando o medo diante do desconhecido e aproximando-o de sua autorrealização.

Um dos instrumentos primordiais que o psicólogo possui como subsidio em seu trabalho na oncologia é oferecer uma escuta compreensiva com a finalidade de ter uma compreensão do paciente, seus sentimentos e atitudes, as quais são necessárias para se estabelecer um vínculo, proporcionando a oportunidade da verbalização de todos os conflitos experienciados nesse período, respeitando suas escolhas, pois o bem maior é a saúde global, bem-estar e qualidade de vida do paciente oncológico.

“Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível.” – Sun Tzu.
Jessica Rossi
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Jéssica Rossi
CRP 07/28352
Psico-oncologista e Psicóloga Hospitalar no Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo

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