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MUNDO AFORA – Islândia: O país mais incrível do mundo

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Douglas Brandão da Silva é médico cardiologista e natural de Santiago, assim como seus pais. Cíntia Franceschini Susin é médica especializada em pneumologia e é natural de Caxias do Sul. O casal conta um pouco da sua história na Islândia.

A HISTÓRIA

“Eu vim para Alemanha em 2013 fazer um ano de pesquisa, então me apaixonei pelo país. Voltei pro Brasil no final de 2013, nos casamos em 2014, demorou um tempo para conseguir convencer a Cíntia a virmos morar aqui. E depois de muita conversa acabamos decidindo e viemos morar aqui em abril de 2017”, afirma Douglas Brandão da Silva.

Moramos numa cidade chamada Bad Oeynhausen, com 65.000 habitantes no noroeste do país. Como existem várias diferenças na formação médica entre os dois países, estamos tendo que fazer parte da cardiologia e da pneumologia novamente, para que o nosso título de especialista seja reconhecido aqui.

Eu trabalho em um centro de cardiologia (Herz-und Diabeteszentrum), que é considerado atualmente um dos maiores centros de cardiologia da Europa.

A Cíntia trabalha em outro hospital da cidade, na área da pneumologia. Até o final desse ano esperamos estarmos com nossos títulos de especialistas reconhecidos.

Nós já visitamos de 30 a 35 países. Nossas viagens infelizmente foram prejudicadas pela pandemia, mesmo assim, por nossa maior paixão ser viajar, assim que a entrada em algum país é liberada, corremos pra ele.

O VÍNCULO COM SANTA MARIA

Eu vim fazer cursinho pré-vestibular em Santa Maria e após cursei a faculdade de Medicina na UFSM. Durante esse tempo meus pais acabaram se mudando para cá também, onde moram até hoje. Depois de quase 20 anos morando aqui, Santa Maria tornou-se meu lar.

A Cíntia veio para Santa Maria para cursar Medicina na UFSM em 2004. Morou aqui por 13 anos. Depois de formada realizou a residência médica no HUSM e começou a trabalhar como Pneumologista na cidade. Santa Maria tornou-se para ela um segundo lar.

POR QUE A ISLÂNDIA?

Fomos para a Islândia pela primeira vez em 2018. Na época escolhemos esse destino pela nossa paixão pela Aurora Boreal. Nós temos um “projeto” de fotografar a Aurora Boreal em todos os países que ela possa ser vista (atualmente já fotografamos na Islândia, Suécia, Noruega, Finlândia e Ilhas Faroe). A Islândia acabou se demonstrando um lugar incrível de belezas naturais indescritíveis, onde a Aurora Boreal acabou sendo apenas uma espécie de “cereja do bolo”.

“O país tem uma natureza muito rica, é a terra do Gelo e Fogo. Numa pequena ilha vemos cachoeiras, fontes termais, geysers, campos de lava, vulcões, geleiras, paisagens de neve, lagoas de icebergs e praias de areias negras.”, conta Douglas.

A capital, Reykjavik tem 200.000 habitantes e partindo de lá você pode realizar uma volta completa na ilha de carro ou Motor-Home em 7-10 dias.

O que sempre nos encantou na Islândia foi a abundância da natureza e o modo de vida dos islandeses. Acabamos voltando em março deste ano e eu voltei uma terceira vez em abril agora.

 

O VULCÃO

A visita a um vulcão em erupção sempre foi um sonho que acabou sendo realizado agora início de abril. Aqui eu acabo ganhando uma semana livre, após uma semana de plantões noturnos, no dia 19 de março vi que um vulcão havia entrado em erupção lá, depois de uma série de mais de 50.000 terremotos nos meses de fevereiro e março deste ano. Essa foi outra experiência vivida lá, sentir a Terra tremendo com terremotos de até 5 pontos na escala Richter na nossa visita em março deste ano, foi um pouco tenso, mas pra um brasileiro que não tem esse tipo de fenômeno no Brasil, de certa forma interessante também!

Chegou minha folga, apesar da Cíntia ter tentado folga e não ter conseguido, e de termos estado lá há menos de 1 mês, não tive dúvida, preciso ir ver esse vulcão!

O vulcão de Geldingadalir como foi chamado, pela região da erupção, fica em uma península formada por uma fina camada de lava vulcânica perto do aeroporto internacional do país, a península de Reykjanes. Da estrada mais próxima são 5-7 Km de hiking no meio de antigos campos de lava e subidas bastante íngremes, com necessidade de auxílio de cordas em um dos pontos.

Não foi fácil, mas chegar e poder presenciar a terra “se abrindo” e expelindo lava a 1200 graus Celsius de fontes 20-30 Km de profundidade com certeza foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Ainda voltaremos juntos. É esperado que o vulcão permaneça em erupção de meses a anos!

CULINÁRIA E LAZER

“A visita a Islândia é de inúmeras possibilidades, desde escalar geleiras de milhões de anos e visitar cavernas esculpidas no gelo até se aquecer num vulcão em erupção. Ou talvez apenas relaxar em uma de suas inúmeras fontes termais com águas de 40-45 graus Celsius aquecidas naturalmente nas camadas mais profundas da terra.”, relata Douglas.

Comer na ilha também é uma atração, apesar de ser um país extremamente caro, a qualidade e variedade das comidas para uma ilha perdida no meio do oceano é incrível. Naturalmente, peixes são uma especialidade, além do cordeiro, criado em abundância na ilha, merecem ser provados. Ótimas cervejas e destilados feitas com água extraída das geleiras do país também merecem destaque.

O POVO ISLANDÊS

Os islandeses são um povo muito simples, simpáticos e receptivos. Conseguimos nos sentir em casa com a receptividade deles. Quase dois terços da população se concentram na capital, onde há edifícios coloridos com só dois ou três andares. São cerca de 350 mil habitantes na ilha. Desses 350 mil, 10,6% são estrangeiros. O que explica a receptividade com turistas.

O país passou por muitas transformações e uma grave crise econômica no final dos anos 2000, tendo se reerguido e atualmente é uma economia estável e forte onde o turismo acabou se tornando uma parte importante da economia.

“O maior orgulho dos islandeses são seus projetos em preservação do meio ambiente. Atualmente, quase que 100% da energia do país são de fontes renováveis (o aquecimento geotérmico garante o aquecimento a cerca de 87% das casas).”, conta Douglas.

Outra característica que nos chamou atenção se refere ao modo de reagir e agir perante os problemas.

Muitos islandeses dizem que ‘þetta reddast’ é sua filosofia de vida. Ela significa algo como “tudo acabará bem” e resume a forma como eles encaram a vida: com uma atitude tranquila e um grande senso de humor.

Essa frase acabou tornando-se quase nosso lema de vida e também nos guiou nesse desafio de emigrar. Ela é tão representativa pra nós que a Cíntia fez uma tatuagem com a frase e eu ainda farei!

AS ESTAÇÕES

O verão é considerado fresco com temperaturas máximas de 15 graus, e o famoso sol da meia noite, pois o sol não se põe. O inverno é bem rigoroso e a neve reina durante seis meses do ano. Existe um ditado que diz: “Se você não gosta do tempo na Islândia, espere cinco minutos”. As quatro estações podem ocorrer no mesmo dia.

No inverno você terá mais chances de ver a Aurora Boreal, por outro lado, dependendo do mês, terá apenas quatro horas de luz para visitar os parques e as cachoeiras que estarão acessíveis.

Já no verão, você terá mais tempo e temperaturas mais agradáveis para visitar todo o país, verá até o sol da meia noite, mas esse mesmo sol te deixará “sem chances” de ver a Aurora Boreal.

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