Artigo de opinião

Que Estado os liberais querem, afinal?

Que Estado os liberais querem, afinal?
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O liberalismo político e econômico não se constitui por frivolidades. Toda a tradição do pensamento liberal clássico carrega consigo séculos de contribuições sobre o papel do Estado na economia e na vida social dos seus povos. E esse, provavelmente, seja o tema mais polêmico na constituição de uma nação: que Estado afinal queremos? Ou ainda: que Estado, afinal, os liberais querem?

Em minha atuação política sou constantemente instado a explicar e deliberar sobre o papel do Estado em nossas vidas. Exemplos não faltam: desde um pacote de aumento de impostos, da suposta extinção de outros ou mesmo das privatizações da CEEE e CORSAN, o tempo inteiro, lidamos com o tamanho da estrutura estatal vigente e em como diminuí-la e∕ou melhorá-la.

Um liberal não é contra o Estado, propriamente. Mas compreende suas limitações. Entende, assim, que a coisa pública – por ser propriedade de todos –, encontra incentivos perversos para uma boa gestão e uma eficiente prestação dos serviços oferecidos. Logo, o liberal delega ao Estado um papel subsidiário na vida em sociedade. Naqueles serviços fundamentais (saúde, segurança e educação básica, por exemplo) e aonde não há demanda suficiente para a iniciativa privada atender, o Estado cumpre papel fundamental na garantia do que é mais básico para aquela população. Eis uma síntese clara de como o liberal enxerga o Estado, afinal.

O que não é defendido por qualquer liberal é que o Estado se imiscua em todos os setores e em todas as relações sociais de um país. Governos que se outorgam o direito de cartelizar mercados, formar monopólios, regular todas as relações de troca e ainda por cima administrar empresas acabam por crescer demasiadamente. A consequência? O aumento inevitável da corrupção e da taxação de toda e qualquer atividade produtiva do ambiente econômico em questão. Um caminho que só leva a estatização social e a miséria econômica das nações. Que nos afasta da tão prometida justiça social.

A grande verdade é que Estados grandes não só custam caro, como também se tornam ineficientes. Seu papel de equidade social se esvai e, geralmente, sua prestação mais concentra riqueza do que o contrário. É por isso que toda a minha atuação parlamentar deriva de uma concepção das limitações dos governos e de seus governantes. Pois entendo que é focando no básico que nos aproximaremos de alguma eficiência na gestão pública, apesar dos inerentes incentivos perversos na sua concepção e atuação.

O Estado brasileiro, desde sua independência, se agigantou invariavelmente. Hoje, possuímos um governo caro e que não entrega o mais básico a sua gente. Ignoramos o alerta secular feito pelos liberais e, acima de tudo, negligenciamos os exemplos das sociedades que mais se desenvolveram e entregaram qualidade de vida à população. A tradição liberal, há séculos, nos relegou o caminho. A culpa foi nossa que insistimos em ignorar. Se somente ideias podem iluminar a escuridão, não serei eu que me furtarei de defendê-las, seja na minha vida, seja como representante legítimo do povo gaúcho no Parlamento do Estado do Rio Grande do Sul. Menos Estado é mais liberdade. Eis a estrada que deveríamos seguir ao invés de, insistentemente, desviar.

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