Artigo de opinião

Quais as vidas importam?

Quais as vidas importam?
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Data: 22/04/2021

Nem todas as mulheres podem ser mães.

Algumas jamais poderiam ter esta benção.

Ser mãe exige muito mais que uma gestação de 9 meses ou trocar as primeiras fraldas.

Amar, educar, entender e respeitar o novo ser que nasceu, com o enfoque nas necessidades da sua formação, exige desapego, generosidade, tempo e amor incondicional frente às imperfeições.

Mãe de verdade, não precisa ter o mesmo sangue. A mãe de verdade é aquela que estabelece o vinculo do amor, da proteção e acima de tudo, permite abrir as janelas para o mundo.

Mas quais janelas abrimos para nossas crianças?

Quais as violências que estamos submetendo e que serão perpetuadas e revividas?

Quais os traumas que conseguem ser superados e quais as marcas registradas na alma de uma pessoa?

É possível amar se nunca foi amado?

É possível respeitar se nunca foi respeitado?

Ficamos chocados com tamanha perversidade de mães coniventes, submissas ou omissas aos maus tratos da violência infantil.

Quantos casos iguais a da Isabela Nardoni, Bernardo Boldrini, Rhuan Castro e Henry Borel? Quantos casos de abuso sexual, tortura física ou psicológica que nem viraram notícia no país, e acontecem todos os dias, na periferia ou em casas abastadas?

O caso do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, ocorrido no DF, passa de todos os limites de crueldade humana. A mãe Rosana Auri da Silva Candido e sua companheira Kacyla Damasceno Pessoa, torturavam o menino desde os 4 anos de idade. A própria mãe confessou que sentia profundo ódio por ele, e pela família do pai dele. Elas inicialmente castraram e emascularam o menino, impedindo qualquer atendimento médico. Testemunhas relatavam que ele sofria abusos constantes. O seu assassinato foi cruel e macabro. Morreu esquartejado e colocado em uma mala, presenciado pela menina de 8 anos, filha da Kacyla.

Quais os danos que esta criança terá para a sua vida adulta, afetiva, social e sexual? Conviveu desde pequena com sua mãe e companheira mutilando o menino. Não há terapia que resolva uma vida marcada pela violência.

Filho não é um produto, não pode ser negociado, ou ser o saco de pancada para aliviar o estresse do dia.

Quantas mães permitem relacionamentos abusivos por interesses financeiros, ou são coniventes com companheiros ou companheiras psicopatas.

Me parece que a sociedade protetora dos animais tem agido de forma mais eficaz do que a sociedade protetora das crianças.

Quais as vidas importam?

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Silvana Maldaner, editora chefe da Revista Interativa.

 

 

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