Artigo de opinião

Por que o liberalismo?

Giuseppe Riesgo (13/04)
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Desde que comecei a participar ativamente de movimentos liberais e depois na política que, hora ou outra, sou indagando sobre o porquê do liberalismo. Ou ainda, por que eu considero o liberalismo o melhor caminho para o desenvolvimento das mais distintas sociedades mundo afora? A minha resposta para essa pergunta é muito simples: porque funciona. Essa é a grande e irrefutável verdade que ainda é solenemente ignorada por parte daqueles que ainda estão presos nas fantasias prometidas pelos socialistas, em geral.

O liberal entende as limitações do Estado e, justamente por isso, sabe o custo de se estatizar a economia e as relações sociais como um todo. No entanto – e isso é fundamental que se compreenda –, o liberal enxerga o papel subsidiário do Estado para a ordem jurídica e a oferta pública daquilo que é essencial à sociedade, como saúde, educação básica e segurança ostensiva, por exemplo. Em síntese, o governo não precisa monopolizar esses serviços, mas pode assegurar sua oferta suplementar àqueles que ainda não dispõem dos mesmos.

Eu diria, se tentasse definir vagamente, que o liberal vê no Estado um papel “securitizador” da sociedade. Em tempos, por exemplo, de pandemia e dificuldades na manutenção das atividades econômicas devido às (questionáveis) medidas de isolamento social, o Estado se utiliza de instrumentos fiscais e monetários para assegurar a mínima atividade econômica e os empregos nesse determinado período. Assim, atua como um seguro social. Garante o básico e dilui o custo desse endividamento extemporâneo, no futuro, com as demais gerações.

O que um liberal não deseja e, tampouco, recomenda é termos um Estado que, mesmo em tempos de normalidade, arroga-se o direito de se endividar continuamente, tributar demasiadamente e intervir em todas as esferas das relações humanas. Um Estado eminentemente endividado, quando chamado a participar em períodos excepcionais, não disporá de saúde financeira, pois a sociedade já está esgotada financeiramente do fardo de carregá-lo.

Eis a nossa realidade em tempos de pandemia. Basta ver, por exemplo a incapacidade do Estado do Rio Grande do Sul em atuar fiscalmente nessa crise. Por estar endividado e, até a pouco, nem salários em dia conseguir pagar, não dispomos de uma margem fiscal de endividamento para auxiliar efetivamente as empresas e manter os empregos no período de bandeira preta no RS.

Ludwig von Mises, profícuo economista de verve liberal, costumava afirmar que o liberalismo não dispunha de cores, símbolos, músicas ou slogans, mas sim da substância e dos argumentos. Está na hora de nos desapegarmos da ilusão estatizante e confiar na razão e nos resultados. Sociedades mais livres economicamente e com um Estado enxuto e menos custoso prosperam mais. Eis o que importa. O resto se resume em chavões e banalidades teóricas para manter a sociedade presa em utopias que, infelizmente, nunca passarão de sua inerente efemeridade.

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