Artigo de opinião

O Dia Mundial da Saúde e o dia de amanhã

Valdeci Oliveira, deputado estadual (PT-RS)
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Nesta quarta-feira (7), comemora-se o Dia Mundial da Saúde, uma data sempre importante, mas que ganha relevância ainda maior no momento que o mundo, o Brasil e o Rio Grande do Sul tentam, com erros e acertos, com avanços e muitos recuos, se livrar dos reflexos mortais da pandemia do coronavírus. Nessa verdadeira “guerra sanitária”, quase 350 mil brasileiros e brasileiras já tombaram, e, infelizmente, muitos ainda terão a vida ceifada, como alertam as autoridades de saúde. Lamentavelmente, nós, claramente, por mais que alguns insistam em não enxergar uma realidade que está posta diante de nós, estamos pagando um preço altíssimo pelo fato das nossas principais autoridades terem encarado essa crise gigante, lá no seu nascedouro, como algo pequenino, como algo pouco importante. Ledo engano! Brutal engano!

Mas mais do que registrar e dimensionar o caos que está posto, que é concreto, que é avassalador, eu gostaria de, nesta data simbólica para a saúde mundial e para a sociedade como um todo, refletir sobre o amanhã. Diante de tanta dor e desesperança, muitas pessoas – eu entre elas – questionam-se sobre como vamos nos reconstruir enquanto sociedade após a Covid-19, que patrolou, certamente, muitos conceitos e paradigmas.

Pergunto: No momento que a pandemia acabar ou enfraquecer bastante, simplesmente vamos ligar o piloto automático e retornar a fazer tudo aquilo que fazíamos antes, da mesma forma e sentido? Vamos seguir, todos os dias, por exemplo, colaborando para a destruição do meio ambiente e, por consequência, com o surgimento de novas pandemias? Seguiremos concordando com o desmonte e o asfixiamento financeiro do SUS, o Sistema Único de Saúde, instrumento que salvou milhares de pessoas da morte nesta pandemia? Prosseguiremos entendendo que as diretrizes colocadas pelo mercado financeiro e por megainvestidores que só pensam em lucrar, lucrar e lucrar são as diretrizes que o país deve assumir enquanto agenda nacional? Continuaremos aceitando que os mais pobres não tenham posições mais cativas e fortalecidas no orçamento público, mesmo habitando em um país encharcado em desigualdade social? A ciência e a pesquisa, ferramentas indispensáveis para a saúde, para a educação e para o desenvolvimento de qualquer nação, permanecerão sendo tratadas no país como gastos e não como investimentos? Seguiremos avalizando políticas governamentais que penalizam trabalhadores essenciais para todos e todas como os servidores da saúde, da segurança pública e da educação? Continuaremos taxando pesadamente aqueles que contam dinheiro para garantir o almoço e o jantar para as suas famílias e desonerando setores altamente privilegiados da pirâmide social brasileira? Continuaremos passivos e inertes diante da escalada de preços dos alimentos e de itens básicos para a sobrevivência, como é o caso do valor do gás de cozinha?  Prosseguiremos sem implementar uma política concreta de renda básica, como fazem diversos países do mundo para enfrentar as desigualdades sociais?

Essas são apenas algumas das inúmeras reflexões que povoam a minha mente na perseguição de um novo cenário, de um cenário onde a solidariedade, a inclusão e a geração de oportunidades para todos e todas possam prevalecer. Mas por mais dúvidas e incertezas que tenha, eu sou otimista e acredito que, passada a “tormenta” da pandemia, algumas lições serão aprendidas por todos nós, principalmente, em matéria de defesa da vida e de proteção social. O mito de que o “Deus Mercado” resolve todos nossos problemas caiu por terra. Quando a crise bateu com intensidade e violência na porta da sociedade, foram as políticas públicas que prestaram os primeiros socorros e os grandes socorros aos desempregados, aos trabalhadores e trabalhadoras e às empresas. É por isso que não podemos cair na cantilena do “privatiza tudo e salve-se quem puder”. É por isso que não podemos abrir mão – com a devida racionalidade no uso dos recursos de todos os cidadãos – da saúde pública, da água pública (defender a Corsan Pública é vital neste momento), da segurança pública, da educação pública, da assistência social pública, da ciência pública e da pesquisa pública. Assim como não podemos deixar de ter atenção e de fomentar e incentivar com qualidade os micro, pequenos e médios negócios, setores responsáveis pela geração maciça de oportunidades de trabalho e de dignidade. E dignidade também é saúde, é crescimento, é evolução.

Por fim, neste Dia Mundial da Saúde, vai, mais uma vez, minha forte homenagem a todos os profissionais que estão na linha da frente do enfrentamento ao coronavírus, especialmente os trabalhadores e trabalhadoras do SUS. Faço questão de repetir o que digo muitas vezes: mais do que aplausos, esses lutadores merecem valorização concreta e permanente.

Valdeci Oliveira, deputado estadual (PT-RS)

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