Artigo de opinião

As raposas e o galinheiro

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Friedrich Nietzsche, filósofo alemão já dizia, aquele que luta com demônios deve acautelar-se para não tornar-se um também. Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você. Qual o abismo que temos olhado? Estamos enxergando o fundo do poço?

Eu não canso de imaginar as raposas cuidando do galinheiro. Investigados nomeados relatores de CPI das investigações. Ministros indicados por presidentes julgando os seus padrinhos políticos. Juízes militantes determinando decretos na madrugada. Sindicatos da educação entrando com liminares para impedir o aprendizado presencial das crianças. MST fazendo campanha de que voltar as aulas é crime, mas invadir propriedades, não. Restaurantes, supermercados, shoppings e bares são liberados, mas escolas são perigosas.

Sei lá, é tanta doideira, que vou seguir os conselhos do Nietzsche. Vou olhar para frente ou tentar olhar de cima. Talvez como uma marciana, ou uma extraterrestre. Nesta perspectiva, talvez consiga ver uma beleza, um aprendizado, uma evolução.

Se olharmos para o passado, há dez anos, não sabíamos os nomes dos ministros do STF, e nem o que faziam. Eu particularmente achava que a função deles era assegurar o cumprimento da constituição, e ser a última instância de julgamento para presidentes, ministros e membros do Congresso.

No entanto, hoje sabemos como foram nomeados, o que faziam antes de serem da suprema corte, quem os indicou, quanto ganham e o que eles investigam, denunciam, julgam e determinam.
De certa forma, pode-se dizer que isto é um avanço. Pois os brasileiros de modo geral, sabiam de toda a escalação brasileira de futebol, todos enredos de escola de samba, a vida de artistas e famosos milionários, mas das decisões políticas e econômicas de seu país, poucos sabiam.

Hoje sabemos o nome, sobrenome, filiação partidária e para quem trabalham os principais líderes que comandam os sindicatos, associações e lideranças que influenciam na vida de milhares de pessoas.
O gigante está acordando aos poucos, bem lentamente. E creio que talvez a próxima geração se não for totalmente alienada, exercerá um papel muito importante de separar o joio do trigo e de parar de alimentar os monstros criados nesta geração.

Enquanto isto, apesar de parecer que estamos no subsolo do poço, vejo um exercício de cidadania e de luta, por discernimento e bom senso nos decretos e leis estúpidas criadas e discutidas por um judiciário e um governo que trabalha para seu partido e não para os anseios de sua gente.

Silvana Maldaner
29.04.21

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