Saúde e Bem-estar

As diferentes formas de manifestação do Autismo em crianças

O autismo e suas as diferentes formas de se manifestar em crianças
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O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação (ausência da fala, linguagem própria), interação social (brinca só mesmo estando com a família) e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. Esses sintomas são o núcleo do transtorno, mas a gravidade de sua apresentação é variável de indivíduo para indivíduo. Trata-se de um transtorno permanente, não havendo cura.

 

A intervenção precoce pode alterar o prognóstico e suavizar os sintomas. O TEA tem origem nos primeiros anos de vida, mas sua trajetória inicial não é uniforme. Em algumas crianças, os sintomas são aparentes logo após o nascimento, outros no decorrer dos primeiros 24 meses de vida.

 

Em 2014, a quinta edição do Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais DSM 5 da Associação Americana de Psiquiatria (APA, 2014) indica que não há mais denominações de subcategorias, tais como a Síndrome de Asperger. Todas as categorias são tratadas, atualmente, como Transtorno do Espectro Autista (TEA). O DSM 5 divide O TEA em 3 Graus: Grau 1: autismo leve; Grau 2: Autismo moderado; e Grau 3: Autismo severo.

Os pais ou cuidadores são os principais observadores das alterações do comportamento dos seus filhos. Hoje em dia a mídia fala muito sobre o autismo. A Carteira de Saúde da Criança – SUS traz a descrição do desenvolvimento normal da criança até os 36 meses. Essa carteira também apresenta orientações sobre autismo e outras doenças. Os sinais de alerta do desenvolvimento atípico da criança:

  • 3 meses: O bebê não demostra interesse pela voz humana. Ventiladores e luzes chamam sua atenção. Alterna entre sono e vigília sem sinais de despertar (choro).
  • 4-6 meses: Não distingue as vozes dos pais. Não estabelece contato visual. Quando mama ao peito não olha para a mãe.
  • 9 meses: Não dá tchau, não imita. É indiferente às pessoas do convívio familiar.
  • 12 meses: Demora para falar, emite sons fora do contexto, possui dificuldade em cumprir ordens, não responde com o olhar quando é chamado, não responde ao seu nome, tem linguagem própria.
  • 18 meses: Não gosta de ser tocado (beijos e abraços) e demostra poucos sinais de afeto. Leva o adulto pela mão para obter o que deseja. Não demostra motivação para compartilhar suas emoções com os outros.
  • 36 meses: Ausência de fala, usa a expressão “você” para referir-se a si próprio, não se interessa em brincar com outras crianças, não usa os brinquedos de forma adequada para idade gostam de girar, subir em coisas muito altas, lamber, cheirar e mastigar a própria roupa, são seletivos com a comida, sensíveis ao barulho, não toleram etiquetas nas roupas, não gostam de roupas molhadas, reclamam da luz, andam na ponta dos pés, assistem sempre o mesmo filme, fazem sempre o mesmo caminho e mudança de rotina gera crises de birra.

O diagnóstico do TEA é clínico, tanto para crianças e adolescentes, como para adultos. Ele baseia-se na observação do comportamento do paciente, entrevista com os pais, filmagens e autorrelatos. Existem testes usados no diagnóstico do autismo que corroboram com o diagnóstico. Esses devem ser aplicados por pessoas autorizadas e com experiência na aplicação e interpretação.

É interessante que os pais compareçam juntos à consulta. Cada um expõe sua opinião. Não obstante essas são divergentes. Muitas vezes após uma primeira consulta sugere-se que os pais estimulem seu filho, interajam, tenham maior contato afetivo, não usem os celulares e vídeos como babás eletrônicas. Na reavaliação, em 1 mês, observa-se os marcos do desenvolvimento se foram alcançados. Se alcançou, essa criança deve manter acompanhamento e estimulação. Se os marcos não forem alcançados, a criança deve ser encaminhada para um Serviço de Estimulação Interdisciplinar Especializado.

O tratamento é baseado na estimulação e na provocação da aquisição de novas habilidades sociais e cognitivas. Esses diversos métodos científicos de estimulação precoce visam promover a plasticidade neuronal formando novas conexões sinápticas neurais. As intervenções precoces podem amenizar o grau de comprometimento do indivíduo. O tratamento de estimulação e multidisciplinar integra vários profissionais como o Neurologista infantil, Psiquiatra infantil, Fonoaudiólogo, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, Psicopedagogo, Educador Especial, Educador Físico e Musicoterapia.

A etiologia é multifatorial, sugere-se que ocorra uma predisposição de fatores genéticos associados a fatores ambientais e possivelmente imunológicos durante o período perinatal. Estima-se que 400 a 1000 genes estejam relacionados com o TEA. Os fatores ambientais mais comentados são infecções virais e bacterianas, medicamentos tais como antidepressivos e ácido valproico, fumo, álcool, agrotóxicos, poluentes, metais pesados, diesel e a idade avançada dos pais. É sugerido o aconselhamento genético para o casal que tenha um filho autista e que desejem ter mais filhos.

Como considerações finais, enfatizo que o diagnóstico e medidas de intervenção precoce podem amenizar o grau de comprometimento do indivíduo. É muito importante a participação dos pais no tratamento. Muitas ONGs e clínicas são criadas a partir da participação dos pais ou familiares.

Deixo endereços encontrados na internet que podem ser de grande ajuda:

  • Lei Romeo Mion – Carteira de Identificação do Autista
  • Lei Federal 12.764 de 2012 (Institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista).
  • O Cérebro Autista Pensando Através de Espectro (Livro de Temple Grandin).
  • Pesquisa de tratamento do autismo em minicérebros criados em laboratório (Do Neurocientista Alysson Muotri).
  • AMA – Associação de Amigos do Autista – SP
  • Lagarta Vira Pupa – Youtube e Facebook
  • Anjo Azul – Grupo de Apoio às famílias de autistas – PR
  • Revista Autismo
  • Falando Sobre Autismo (ONG).
  • Revista Autismo e realidade.
  • Willian Chimura (Youtuber autista).
  • Atypical (Série na Netflix).
  • TchADORO congresso anual PF (espero)
  • Eyecontact (Dr. Gadia)
  • Autismo Projeto Integrar.

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Ana Ligia Silveira
CREMERS 14858
Neuropediatra, Mestre em Pediatria (PUCRS)

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