Mundo Afora

Mundo Afora: Dinamarca – Aarhus

Isadora StangherlinIsadora Stangherlin
Isadora Stangherlin e Marcel FarretIsadora Stangherlin e Marcel Farret
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Dokk1 LibraryDokk1 Library
ARoS Aarhus Art MuseumARoS Aarhus Art Museum
Aarhus UniversityAarhus University
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Isadora Stangherlin, administradora de empresas morou na Dinamarca por um ano, na cidade de Aarhus, para fazer o doutorado em Administração com ênfase em Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade. Na Dinamarca conheceu grandes nomes da área de sustentabilidade, referência em pesquisas. Morar em Aarhus foi uma experiência enriquecedora. Aprendi muito lá, principalmente sobre a cultura do país e das empresas. Eles adotam diversas ações de sustentabilidade e todas as empresas a usam como estratégia em suas operações.

Em dezembro de 2019, Marcel Farret veio me visitar e ficamos um mês viajando pela Europa, indo para vários lugares. Nos encontramos em Paris, onde fui surpreendida com o pedido de noivado. Depois fomos para a encantadora Amsterdam. Passamos o Natal em Munique. Seguimos a viagem conhecendo Praga e Berlin, onde passamos o ano novo.

A viagem acabou em Aarhus, onde o Marcel ficou comigo por 7 dias. Ele também gostou muito da cidade e teve a oportunidade de conhecer a universidade e fazer uma visita a Faculdade de Odontologia, onde conheceu alguns professores da sua área. Tinha um convite para voltar e ficar um tempo como pesquisador visitante na universidade, mas tivemos que mudar os planos devido a pandemia.

A cidade é encantadora. Ela é uma cidade universitária, com uma rotina de moradores bem semelhante à Santa Maria. Diversas pessoas do mundo inteiro se mudam para Aarhus durante o ano para estudarem na universidade. Isso faz com que ela seja uma cidade jovem e vibrante. Em 2017, a cidade foi considerada a Capital Cultural da Europa. A cidade possui diversos museus, parques naturais, praias, jardim botânico, além diversos bares, restaurantes e cafés. Sempre há alguma coisa acontecendo na cidade. Uma das atividades que eu mais gostava de fazer era andar pelas ruas, admirando os prédios e as casas, e escolher um café para sentar e observar as pessoas que estavam ao meu redor.

Em relação à universidade, ela é altamente reconhecida na Europa, com ótima infraestrutura e muito recurso financeiro. Foi enriquecedor poder conhecer uma universidade assim. Eles contam com altos recursos para os alunos e professores, fortemente financiando pesquisas e eventos acadêmicos. Os doutorandos da universidade são considerados funcionários, ou seja, eles recebem um (alto) salário para fazer doutorado.

A cidade de Aarhus foi escolhida porque a minha orientadora do Brasil (Marcia Dutra de Barcellos) fez o seu pós-doutorado na Universidade de Aarhus e trabalhou lá por um tempo. Então, os professores da Dinamarca e a minha orientadora do Brasil têm uma parceria de longa data. Alguns dos professores da universidade já vieram para o Brasil e pude conhecê-los antes de me mudar para lá.

A língua oficial do país é dinamarquês, mas todas as pessoas falam inglês perfeitamente. Então, não tive nenhum problema de comunicação. A rotina de vida é bem diferente da nossa aqui no Brasil. Na universidade, por exemplo, o horário de trabalho é das 08 da manhã às 16h da tarde. Poucas pessoas trabalham além desse horário. Além disso, cada doutorando e cada professor tem um escritório próprio na universidade, fazendo com que todo mundo vá para a universidade para trabalhar.

A rotina de trabalho deles é bem flexível, sendo que geralmente eles tiram alguns dias de folga no mês. Nos finais de semana, eles prezam pelos momentos em família, com os amigos e para o descanso, raramente trabalhando nos finais de semana. Eles têm a cultura “hygge”, que é basicamente criar um ambiente acolhedor em casa, onde eles se sintam bem, geralmente com bastante vela, cheiros no ambiente, e uma boa comida, para se sentirem aconchegados e com sentimento de bem-estar.

Em Aarhus, e na Dinamarca como um todo, todas as pessoas andam de bicicleta, mesmo as que têm carro. Todo o país tem ciclovia e é bem seguro andar de bicicleta na cidade. Mesmo com chuva, frio e neve as pessoas andam de bicicleta.

Uma vez encontrei o reitor na universidade chegando de bicicleta e achei incrível a cultura que eles têm de não utilizar os carros. Crianças pequenas andam de bicicleta e raramente os jovens possuem carros. Além disso, o custo de vida no país é altíssimo. Uma janta em um bom restaurante, para uma pessoa e sem bebida, custa em torno de R$ 300,00.

Os produtos no mercado também são mais caros, mas tudo com muita qualidade. As pessoas ganham bem, mas também pagam muito imposto. É um país onde não há desigualdade social e o governo suporta todos os cidadãos. Todos vivem muito bem e não há pobreza no país.

Eles comem muita batata e carne de porco. Esses são os pratos clássicos. Eles também comem muito smørebrød (ou smorrebrod), que é um pão típico do país (integral e feito com muitos grãos), aberto com um recheio em cima, geralmente algum peixe e um molho. Eles também comem muito pão e manteiga. Praticamente toda refeição tem uma porção de pão de alta qualidade. Eles gostam muito de doces também, principalmente os bolos. Em relação ao clima, na Dinamarca, as quatro estações são bem marcadas.

No entanto, chove muito lá. No verão é quente (entre 18 a 25 graus), com sol e dias bem longos (sol até meia noite em alguns períodos do ano). No inverno, no entanto, os dias são bem curtos (em Dezembro e Janeiro amanhece 8:30 e já é noite perto das 15:30). Além da chuva constante – raramente vemos o sol no inverno. Os dias curtos foi o fator mais desafiador para mim. Os dinamarqueses comentam muito sobre o clima, geralmente reclamando. É frio no inverno e alguns dias neva no país.

Os dinamarqueses são bem reservados e respeitam muito o espaço do outro. No entanto, são muito solícitos e atenciosos quando pedimos ajuda. Eles bebem muito (geralmente “Snaps”) para se soltarem. Nos finais de semana é comum encontrar as ruas cheia de jovens bebendo e fazendo festa.

Foi incrível ver como as coisas funcionam no país, como eles confiam uns nos outros, como o governo é respeitado por todos e como não há injustiça ou desigualdade. Recomendo fortemente as pessoas conhecerem o país, tenho certeza que todos irão se encantar, assim como eu.

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