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Lauro Trevisan aos 86 anos lança sua 102ª obra

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Padre Lauro Trevisan, receita, em seu novo livro Contos Bem-humorados, que rir é o melhor remédio. É a obra de número 102. Diz ele que, já que a vida é curta, que seja divertida. Na palavra de um padre, é mais uma gota nas inúmeras críticas que tem recebido de setores eclesiásticos, já que essa ideia foge aos padrões da Igreja concentrada em altas elucubrações espirituais.

Como conferencista internacional, realizou mais de quinhentas Jornadas do Poder da Mente, atingindo cerca de meio milhão de pessoas em seus cursos presenciais, no Brasil e no mundo.

Aos 86 anos, esbanja saúde e vitalidade, sempre com a mente voltada para novos projetos culturais. Confira a entrevista exclusiva da Interativa.
Qual sua formação?

Lauro Trevisan: Gosto muito de estudar e pesquisar. Aprender me fascina. Formei-me em Filosofia, Teologia, Psicologia, Jornalismo, História, Ascese, Exegese, oratória, Psicanálise Humanista. Cursos breves: Administração de Empresa pelo Instituto Chapiro; Análise Transacional; Sociologia do Desenvolvimento; Coaching, pelo Instituto Tânia Zambon; Parapsicologia: Nove Domínios da Consciência Oscar Ichazo; Psicorientologia do Silva Mind Control, e vários outros. Mas o que mais me empolga é desvendar a ciência do Poder da Mente, que, por sinal, coincide com os ensinamentos sobre o Poder da Fé ensinado por Jesus. E continuo lendo, estudando e escrevendo no meu dia a dia.

Trajetória de vida?
Lauro Trevisan: Minha vida tem sido focada em três eixos: Levar os sábios ensinamentos do Cristo às multidões através da palavra e dos escritos; divulgar o Poder da Mente, ou seja, a capacidade existente no ser humano de realizar seus sonhos e ser feliz; e o terceiro eixo foi dar vazão ao meu espírito empreendedor, que se materializou na criação da Livraria da Mente, da Editora da Mente, do Parque Balneário Turístico Oásis, do Teatro Santa Maria e da Casa da Península.

Escritos?

Lauro Trevisan: Na parte literária, tenho 102 livros lançados, além de inúmeros artigos, entrevistas e reportagens. Minhas obras são a expansão de mim mesmo: poder da mente, poder da fé, poder da oração, poder do pensamento, poder interior, poder de alcançar riquezas, poder da felicidade, poder contra a depressão, poder de realizar os próprios sonhos existenciais. E, ainda: Romances (3); Poesias; Contos; Parábolas; Histórias; livros infantis, para adolescentes, para jovens, para idosos; humorismo. A soma das publicações chega aproximadamente a 2.500.000 exemplares. Por falar em literatura, tenho a alegria de ser membro da Academia Santa-Mariense de Letras; da Academia Rio-Grandense de Letras e da União Brasileira de Escritores RS.

Por que as pessoas criticam tanto os livros de autoajuda?

Lauro Trevisan: Porque não evoluíram. Não perceberam que toda pessoa que ensina faz autoajuda. Os que não fazem autoajuda querem que as pessoas dependam deles. Autoajuda é ajudar as pessoas a agirem por si mesmas. Respondo as críticas ao poder da mente com uma frase do escritor Albert Camú: “O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é.” José Saramago, no seu livro Ensaio sobre a Cegueira, escreveu: “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem”. E Jesus, que insistiu tanto sobre o poder da fé que move montanhas, teve que exclamar: “Tendo olhos não veem, tendo ouvidos não ouvem”. Mas o mundo está mudando.

Quando parou de celebrar missas?

Lauro Trevisan: Em 1959, fui ordenado sacerdote pelo saudoso Dom Antonio Reis e, em abril deste ano, celebrei 61 anos de padre, sempre entusiasmado em divulgar e pregar os maravilhosos ensinamentos de Jesus. Concelebro missa na minha comunidade quase diariamente e, às terças-feiras, presido a celebração. Nunca deixei o sacerdócio e nem pretendo, pois me sinto feliz nessa caminhada. O que dizem por aí é conversa fiada (risos)

Prêmios e distinções:

Lauro Trevisan tem recebido vários títulos e condecorações. Além de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro e Medalha Tiradentes, recebeu título de Cidadão de Juiz de Fora; Cidadão Itaarense; Mérito Empresarial; Mérito Industrial; Prêmio Imembui; Mérito Cultural Prado Veppo, pela Câmara de Vereadores de Santa Maria; Mérito Literário, pela Associação Santa-Mariense de Letras; Medalha de Prata, pela UFSM; entre tantos outros. Também recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais literários: Primo Premio Assoluto, da Academia Internazionale Il Convivio, Itália. 2014. Obra: O Último Papa. Terzo Classificato, Concurso 2020, da Academia Internazionale Il Convívio, Itália. Obra: A Fogueira das rápidas transformações no mundo e no ser humano. Troféu da Academia Santa-Mariense de Letras; Destaque ASL 2018 CONTO”. Troféu Sabedoria, pelo Instituto Tânia Zambon.

Fale sobre suas polêmicas com a igreja e seus pontos divergentes?

Lauro Trevisan: Leio muito, pesquiso muito, e procuro ver além do status quo. Percebo que o setor religioso precisa evoluir, e muito, para não ficar travado em concepções e jargões ultrapassados. Quando sabemos que somos filhos de Deus e temos o Pai habitando nosso interior, repetir que somos nada e pecado é ofender o Deus imanente. Pregar resignação quando Jesus ensinou que a fé pode tudo, é outro equívoco. Negar o poder da mente é negar o poder da fé, ensinado pelo Mestre. Falar em “descanse em paz a um falecido” não tem sentido, já que a vida continua na outra dimensão. Diante de um Deus que criou esse mundo de tanta riqueza, praticar o culto da pobreza como preceito divino, eis outro equívoco desastroso, assim como condenar o prazer e o bem-viver confortável. Ensinar que a felicidade não existe neste mundo é negar que somos originários da Suprema Felicidade, ou seja, é dizer que não somos o que somos. Poderia citar outras considerações simples, que não fecham com a evolução atual. O que digo não atenta contra nenhum dogma. O tempo é o mestre silencioso da verdade.

Fale sobre a alegria e a depressão, doença que mais cresce.

Lauro Trevisan: Escrevi um livro sobre depressão: O Velho Monge do Castelo. A fé e a alegria são essenciais ao ser humano. O poder da fé abre caminho para a autorrealização e a alegria é a energia da cura da depressão, porque libera os hormônios da endorfina, oxitocina, dopamina, serotonina, chamados hormônios da felicidade e do bem-estar. A depressão é um corrosivo do prazer existencial.

Gostaria que a pessoa, no momento em que se sente triste, busque logo a causa e resolva de forma positiva, caso contrário vai reforçar a sua tristeza. Diz a sabedoria: Tudo que remói cresce. E pode crescer tanto que a pessoa acaba se tornando a própria tristeza e isto se chama depressão. Dizem que a depressão é uma doença, claro que é.

Toda doença física tem como causa fatores mentais que vão enfraquecendo o sistema imunológico e afetando órgãos mais fragilizados. Mas a depressão é psicofísica e aí o problema ataca por todos os lados. Mas tudo tem cura. Quando a pessoa quer desistir da vida, é urgente ser socorrida por remédios psiquiátricos, até sua mente se clarificar para então a força mental e espiritual e a visão positiva existencial conseguirem ganhar espaço para a autolibertação.

Tudo na vida tem dois lados, o lado bom e o lado ruim, e é fundamental escolher sempre o lado bom de tudo. É necessário mudar os padrões de pensamentos e crenças negativas. Precisamos criar hábitos que nos tragam alegria e autoestima elevada.

Quais seus planos?

Lauro Trevisan: Estou envolvido em sonhos, planos e projetos em andamento. Além de novas obras literárias, estou abrindo caminho para mensagens e lives nas redes sociais. Mas meu mais ambicioso projeto é a criação do Museu do Livro a Céu Aberto, na Península. É preciso fazer apologia do livro, esse benefício cultural saudável que, além de tudo, é o superalimento do cérebro, orientador de vida, o avião turístico mental que leva o leitor ao mundo todo, sem sair do lugar. Por enquanto, falta a vitamina D, ou seja, a vitamina-dinheiro. Mas virá. Pus à venda alguns hectares do Oásis para esta finalidade. Também estamos elaborando o projeto da Universidade Livre do Bem-Viver, a Unibevi.

Lauro Trevisan com Maria Odete

Como começou a parceria com Maria Odete?

Lauro Trevisan: A colaboração inteligente e dedicada da Maria Odete Fleig, sempre dando suporte gerencial à parte material e social dos empreendimentos, começou quando ela tinha apenas 15 anos e trabalhava na revista Rainha. Tínhamos 80 funcionários, e ela era datilógrafa. Posso dizer que há mais de cinquenta anos vem sendo meu eficiente anjo da guarda nessa caminhada. Hoje, além de tratar dos meus compromissos e assuntos financeiros, ela se dedica mais especificamente à direção e administração da Livraria da Mente.

E o que diz do seu novo lançamento?

Lauro Trevisan: Acabo de lançar minha obra número 102, elaborada durante o período da Pandemia: Contos Bem-humorados. O confinamento me deu oportunidade de escrever 30 contos, todos eles divertidos, jocosos, surrealistas. Já que a vida é curta, que seja divertida. Gosto de ver as pessoas alegres, sorridentes, porque isso favorece a saúde, o bem-estar e a convivência agradável.

Este é um livro ótimo para ler a qualquer momento, principalmente nos fins de semana, nas férias e nas horas de estresse e mau humor. Bom também para colocar na sua cesta de presentes. Os chocolates e o vinho se vão, o livro fica. Seja curioso. Conheça o outro lado do Lauro”.

1 Comment

  1. Lauro Trevisan sou eternamente grata por tudo que me ensina através dos seus livros…Todo Ser humano deveria ler. Gratidão 🙏

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